2013 FOI IRRITANTE

Este foi um ano em que a mediocridade alcançou índices exponenciais.

Especialmente em São Paulo, surgiu um discurso único, unânime. Só se fala mal do PT, do Lula, da Dilma, dos nordestinos. É um discurso fascista, extremamente reacionário, que pode ser ouvido em qualquer lugar. Esses paulistas, pessoas que têm como sonho de consumo usar aquelas orelhas de rato da Disneylândia, não respeitam nenhum limite imposto pela realidade aos seus desvarios. A própria seção de cartas do Imprensa Livre, quase todos os dias, em vez de publicar as manifestações da população do Litoral Norte, estampa uma meia dezena de arautos da extrema direita, muitos dos quais nem conhecem nosso Litoral. Eles enviam seus venenos retrógrados a vários jornais…e o Imprensa Livre – inexplicavelmente – publica-os.

Se posso fugir dessas cartas, não posso deixar de escutar. Outro dia estava num restaurante, em São Sebastião, sendo que, numa mesa ao lado da minha, típicos paulistanos reproduziam aquela mesma ladainha reacionária ditada pela grande imprensa (digo: imprensa grande), maldizendo o PT, o Lula, a Dilma, os nordestinos. De repente, veio a pérola:

– “São Paulo é PT!” “

Foi demais, para mim: fui embora, mordendo os lábios para não dar resposta…

Triste, mesmo, é ver pessoas que, antes do governo do PT, só entrariam em faculdades como braçais (com todo respeito a estes). Com o PROUNI, porém, viraram alunos. Muitos destes, lamentavelmente, poluídos pelo discurso único das elites econômicas, abrem a boca para cuspirem no prato em que saciaram a fome.

2013 foi o ano do maior e mais vergonhoso erro judiciário do Brasil. Um caso de “caixa 2” de campanha eleitoral se transformou numa caçada à esquerda sem precedentes históricos. Enquanto isso, escândalos que movimentaram quase sessenta mensalões descansam em berços esplêndidos.

Até mesmo os movimentos de junho para cá, em vez de representarem um despertar em termos de consciência política, nada mais foram, em sua maioria, do que um choro de filhinhos de papai querendo aparecer, desrespeitando o direito de ir e vir dos outros, sem nenhum traço de tolerância com aqueles que não se limitam a repetir o que a Globo, o Estadão ou a Veja pregam.

2013 trouxe um retrocesso de milênios, com as religiões ditando a Política, num obscurantismo que faria Voltaire ou Freud praticarem arakiri.

Além dessas questões marginais, os grandes problemas persistiram, agravaram-se. Continuam a colocar mussarela em todo tipo de pizza. Os motoqueiros entregadores, em vez de baterem palmas ou apertarem a campainha, continuam a buzinar em nossas casas, como se procurassem mulheres de “vida fácil” (com todo o respeito a estas, cujo viver é muito difícil). As pessoas continuam comendo “tanto faz”com cobertura de “qualquer um”. Continuam a não querer a nota fiscal paulista (ou são sonegadoras, ou são milionárias de dinheiro caído do céu, ou não são muito inteligentes).

Nossos motoristas – turistas ou praianos – ,continuam a ignorar as placas de trânsito, continuam a praticar a “Lei de Gérson” nas ruas, nas filas, na vida. Depois de praticarem todo tipo de egoísmo e esperteza, falam mal do PT, do Lula…

Que 2014 seja leve!




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em dezembro de 2013.

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Baú do Odair

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