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22 de outubro de 1961

O que podemos concluir com a data acima?

Sim, eu sei que é estranho o dia 22 de outubro ainda não ser feriado nacional (por que não universal?), mas a conclusão à qual quero chegar não é essa.

Desiste?

Pois então eu vou dar a resposta.  Se eu nasci no dia 22 de outubro de 1961, eu tenho algo mais, além de uma grande modéstia: eu tenho 48 (quarenta e oito) anos.

Por que estou dizendo isso?  Tudo começou numa fila…

Cerca de dois meses atrás, eu estava num supermercado, no fim da fila daqueles caixas para até dez produtos.  Todos os caixas estavam com clientes, com filas.  Em dado momento, uma funcionária – muito atenciosa, aliás – acenou para mim, chamando-me para um caixa que – descobri naquele momento – estava vazio.

Fui para lá, agradeci a gentileza da funcionária e…e…percebi que estava no caixa para idosos.

Imaginei que aquela moça estava começando a trabalhar naquele instante, ocasião em que não havia nenhum idoso para passar com mercadorias.  Como eu estava no fim da fila, nada mais lógico que eu fosse o chamado, como efetivamente acontecera.  Nada demais, pensei.

Na semana passada, aconteceu a mesma coisa, com outra funcionária…mas a fila era a mesma: de idosos.  Eu pensei, porém, o mesmo que pensara da vez anterior: que a funcionária estava começando seu turno, que eu estava no fim da fila, etc.  De fato, saí de lá convencido de que essa era a explicação para o ocorrido.

Dias atrás, porém, esse meu convencimento desmoronou.

Fui a um posto de saúde, a fim de marcar uma consulta e obter uma receita.  Aproveitei para perguntar se ainda estavam aplicando a vacina H1N1.  A funcionária – também muito atenciosa – disse que sim, acrescentando que, a partir do dia oito, eu também poderia tomar a vacina contra a gripe comum (“Influenza”).  Eu agradeci sua atenção, e ela foi para uma sala do posto.

Aguardava a receita médica, quando deparei com um aviso enorme, na parede, sobre a vacinação contra a gripe comum.  No cartaz, bem destacada em vermelho, uma frase: “para maiores de 60 (sessenta) anos”.

Eu queria tomar a vacina contra a H1N1 porque tenho uma doença crônica, diabetes.  Mas se a moça me sugeriu tomar, também, a vacina contra a gripe comum, não há como negar: ela pensou que eu tinha mais de sessenta anos!

Já aceitei que não sou muito alto.  Já aceitei que não tenho muito cabelo.  Mas idoso…eu ainda não sou!!!

Não consigo mais pensar em outra coisa, a não ser: aparento, mesmo, ser idoso?

Não tenho nada contra essa fase da vida, mas esperava encontrá-la só daqui a doze anos.

Tingir o cabelo?  Sempre achei que isso não fica muito bem, principalmente em pessoas sem muito cabelo como eu, nas quais o tingimento precisa ser feito um fio por vez, artesanalmente, com extremo cuidado para não devastar mais, ainda, o que já está em extinção…

Quanto àquele “spray” que aparece naquelas emissoras de TV que só veiculam anúncios, não passa de um verdadeiro serviço de lanternagem na cabeça alheia (enquanto for alheia, tudo bem; na minha cabeça, porém, nem pensar).

É claro que não vou tingir meu cabelo, não vou, não, mas…qual será a melhor marca de tintura?

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P.S.: Quero aproveitar este espaço para cumprimentar minha Mãe, que está lá no Céu, cujo Amor me acompanha sempre.  Também quero cumprimentar a Mãe dos meus filhos, que, aqui na Terra, com seu Amor me revela, a cada instante, o que é o Céu.  Quero, enfim, projetar todo o Amor que puder sobre todas as Mães.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em maio de 2010.

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Baú do Odair

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