VIDA DE GORDO É DIFÍCIL

    No mais perfeito estilo sanfona de ser, nos últimos anos eu engordei e emagreci várias vezes. Emagreci trinta quilos, reengordei trinta e dois; emagreci quarenta e dois, reengordei quarenta e cinco…e assim por diante… No momento atual, estou gordo (ou, segundo detratores da forma alheia: gordão).
    São muitos os momentos tenebrosos pelos quais passa uma pessoa gorda (ou gordinha, ou gordona). Do pavor diante da necessidade de sentar em cadeiras de plástico, passando pelo medo de ficar entalado nessas lanchonetes nas quais as mesas e cadeiras são parafusadas no chão, chegando à maldade de servir como ponto de referência em informações sobre onde fica determinado lugar (“Está vendo aquele gordo?”), os gordos sofrem muito. O pior de tudo, porém, surge quando a pessoa volumetricamente não ortodoxa precisa comprar roupas.
    Gordos só podem comprar uma peça de roupa sem preocupação: lenço. Fora isso, entram num mundo de risadinhas, piscadelas, olhares maldosos. O inexplicável é que, se você observar o movimento de qualquer calçada mais movimentada, só passa gente gorda. Pergunto: essas pessoas não compram roupa? Suas vestes são, na verdade, tatuagens? Digo isso, porque a coisa mais difícil é encontrar roupas de tamanho GGG, GGGG, XXXXGGGG, etc.
    Quando se encontra o número desejado, vem a tortura daqueles provadores minúsculos.
    Embora existam lojas especializadas em roupas para gordos, nelas ocorre uma tortura a mais: as sacolas onde são guardadas as compras costumam ser exageradamente enormes. Na verdade, o gordo não sai com sacola: sai com “outdoor”.
    Para completar a tragédia, essas lojas costumam ter nomes que mais parecem tiração de sarro. “Loja da Fofa”, “Mais Pano”, “A Gorda Elegante”…
    Qual mulher falaria para uma amiga:
    – Querida, vamos comigo na “Loja da Fofa”?
    Gordo sofre…

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BRIOCHES

CRIAÇÃO COLETIVA

Eu busco.
Tu encontras.
Ele seleciona.
Nós copiamos.
Vós colais.
Eles assinam.

TUDO ISSO SERÁ TEU!

Tudo indicava que Joaquim Orlando iria ter um futuro brilhante.
Mas Joaquim Orlando deu errado.
Não ficou rico,
Não ficou famoso,
Não ficou poderoso,
Não foi amado,
Não foi querido,
Não me lembro do que estava falando…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em novembro de 2013.

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Baú do Odair

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