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A verdade está lá fora

Mais do que o segredo, o nome é a alma do negócio.

O problema é que toda alma precisa de um corpo, e alguns corpos ocupam mais espaço do que outros.  Fiz esse raciocínio sem nenhum sentido para demonstrar meu espanto com relação aos nomes de algumas lojas de roupas especializadas para atender pessoas com corpos algo avantajados.  São muitos os estabelecimentos com nomes mais ou menos assim: loja do gordo, magazine da fofa, o gordão elegante, etc.  Nunca vi nenhum comércio que tenha chegado ao cúmulo de se denominar, por exemplo, o paraíso dos balofos, mas a verdade é que chegam perto disso.

Mas falei de meu espanto sem dizer o motivo dele: muitas lojas com tais denominações fazem sucesso…e muito sucesso.  Como pode ser isso?

Desejo sucesso a todas essas lojas, mas já pensou se a moda pega, alcançando outros ramos empresariais?

Será que, numa cidade pequena, seria muito frequentado um bar denominado “Recanto dos Pinguços”?

E o que dizer destes nomes para salões de beleza: “Espaço das Loiras Falsas”; “O Ponto das Rugas”, “Salão da Celulite”?

Para academias de ginástica?  Que tal “Flácidos e Flácidas”?

Mas o nome é, sem dúvida nenhuma, fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento.

Aliás, um dos mais originais que conheço, em São Sebastião, é a adega de um simpaticíssimo amigo meu, no Pontal da Cruz: “Apotheca Cervisia”.

É claro, porém, que a localização geográfica é muito importante, também.

Por falar em adega, em localização e em nomes, eu frequentava uma adega onde ocorriam fenômenos verdadeiramente sobrenaturais.

Sempre estavam lá muitos amigos, todos sorvendo o néctar vulgarmente conhecido por cerveja.  Até aqui, nada de mais.  O intrigante, o extraordinário acontecia quando o telefone celular de algum deles tocava, estando do outro lado da linha a respectiva esposa…

Em primeiro lugar, parecia que todas elas  tinham o mesmo nome: “Querida”!

E logo depois vinha a demonstração asombrosa de que aquela adega, na verdade, não existia:

  • Já estou chegando!
  • Estou saindo da padaria!
  • Acabei de sair do supermercado!
  • Estou quase aí!

Acredite: nunca ouvi alguém dizer, simplesmente, que estava bebendo na adega.  Ou seja: aquele lugar nunca existiu, geograficamente falando.

Opa…meu celular está tocando…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em setembro de 2009.

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Baú do Odair

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