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Amor não é substantivo.

Há pontos que resumem tudo. Alguns estão em textos fundamentais, como a Bíblia.
É o caso, por exemplo, de um que já comentei, segundo o qual a Verdade liberta.
Na Bíblia também há um outro ponto básico: o mal não é o que entra no homem, mas o que
sai dele.
A Verdade, aliás, vai mais longe, ainda: não existe Bem ou Mal.
Álcool, tabaco, gorduras, carne, ganância, inveja, nada disso é do Bem ou do Mal. A pessoa
que ingere álcool é quem pode estar agindo de forma a causar mal a si ou aos outros. O álcool,
porém, é neutro: ele tanto pode ser usado como um brinde à alegria, como também pode ser um
método de fuga da Vida. Desejar ter algo similar ao que outra pessoa tem pode atuar como um
estímulo ao trabalho honesto, com o fim de ser obtido esse algo. Ou pode ser mera cobiça geradora
de ressentimento.
O Bem, portanto, é criado por nós; só pode ser criado por nós. Não é um dado, mas sim um
construído, construído a cada segundo.
Tudo pode ser uma bênção (ou uma maldição). A escolha é nossa.
Quando optamos pela divisão entre o que julgamos ser nosso Eu e a Vida, o mal entra em
cena.
Quando temos a convicção de que somos Um com a Vida, o Bem pulsa; a Música toca; tudo
se transforma numa divina bênção: acariciar um gato de rua que nos procura em busca de carinho;
confortar uma pessoa amiga que teve uma perda; elogiar a vitória de uma pessoa que amamos.
A Vida é como um livro que escrevemos a todo instante. Passamos os anos preocupados
com o enredo, o papel, a caneta, a tinta, a encadernação. Buscamos aprender a escrever sem erros.
Buscamos uma editora, uma livraria, um milhão de leitores para o nosso livro, o primeiro lugar na
lista dos mais vendidos. São tantas regras, desejos, objetivos, que o prazer de escrever desaparece.
E o pior de tudo: na noite de autógrafos, percebemos que nos preocupamos com tantas coisas, que
as páginas ficaram em branco. Que desperdício…
O importante, mesmo, é que sejamos Um com as pessoas que, no decorrer da Vida, irão
ajudar-nos a escrever nosso livro: da nossa Mãe ao coveiro.
Viver de verdade é sentir, o tempo todo, a música nos convidando a dançar.
Amor é verbo.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em outubro de 2009.

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