Basta Sentir.

No último dia 25 de outubro, escrevi neste espaço um artigo com o título “Meu Caminho”.  Nele eu divulgava exatamente o que o título resumia: a que ponto havia me levado, até aquele momento, meu caminho de busca de um sentido maior para a Vida.  Em síntese, eu tinha sentido que a única maneira de praticar uma reforma íntima era a destruição de meu ego; era a reconstrução de meu Eu Imortal.

Não há nada de novo nisso, é claro.  Está no Evangelho: ”Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mateus, 10, 39).  Está no Hinduísmo, no Budismo, através do Tantra, em especial através do método denominado Mahamudra.  Está, como disse no artigo citado, em muitas religiões.

Está nos passos da programação dos “Alcoólicos Anônimos” e dos diversos grupos de auxílio mútuo gerados a partir dela, consistente no reconhecimento da impotência perante a droga, na existência de um poder superior, ao qual é entregue a compulsão que assola o doente.

Não, eu não falei nada de novo.  Só deixei claro que eu chegara a um ponto em que estava SENTINDO a existência de um Eterno, SENTINDO que, além do meu corpo, da minha saúde, minha família, minhas finanças, minha profissão, havia um Eu Imortal.

Mesmo assim, naquele sábado eu fumei quatro maços de cigarro.

Mesmo assim, no domingo eu fumei três maços.

Então eu SENTI que estava sendo hipócrita.

SENTI que meu Eu Imortal não precisava de cigarro.

Desse momento em diante, sem luta alguma, não fumei.  Ao contrário de outras várias ocasiões, em que atirava no lixo meus cigarros, desta vez o cigarro caiu sozinho…de minha boca, de meus dedos, de meus pulmões, de minha mente.  Caíram no chão, também, o arrependimento de ter fumado no passado, bem como o medo de ficar doente no futuro.

Por isso, quando as pessoas elogiam a minha força de vontade, digo na hora que, muito pelo contrário, eu perdi qualquer força e qualquer vontade, até a de parar de fumar.  Digo que eu simplesmente estou parando meu ego e começando meu Eu.

É muito simples…  Mas também é a coisa mais difícil que existe…

É simples, porque não há nada a ser feito, só SENTIR a VERDADE de que Eu não sou meu ego.

É muito difícil, porque ninguém gosta de abrir mão de tudo o que o falso (mas aconchegante) mundo material oferece, da fama à riqueza, do conforto à vaidade, do “ser o melhor” ao “ficar na História”.

Basta SENTIR que está parando o ego…começando o Eu…

Basta, verdadeiramente, SENTIR.

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P.S. – Convido você a ouvir meu programa de rádio na Internet, no site www.litoral.net. Neste sábado, além de falar mais sobre esse meu caminho, vou fazer comentários sobre a Lei de Anistia, que voltou à berlinda.  Ao vivo, das 11 ao meio-dia.  E depois, você pode ouvir a gravação do programa.  Fica aqui o convite.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em novembro de 2008.

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Baú do Odair

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