Brasileiro é tão bonzinho…

No dia 31 de janeiro último, saiu no Imprensa Livre um texto de minha autoria, intitulado “E não é que agiotagem ainda é crime?”, no qual eu criticava os absurdos juros bancários que são atualmente cobrados das pessoas que acabam precisando tomar dinheiro dos bancos, seja no cheque especial, seja no crédito pessoal, seja no crédito rotativo dos cartões. No artigo eu ainda mencionava a quantidade exagerada de taxas cobradas de todos nós, pelas instituições bancárias, bem como a miserável remuneração da caderneta de poupança, mais miserável, ainda, se comparada aos estratosféricos juros cobrados.

Além de relatar esse quadro cruel, que geraria, em qualquer país com uma população com sangue nas veias, protestos efetivos, anunciei que, na tentativa de fazer algo contra esse descalabro, estava criando o site Boicote.org (http://www.boicote.org), com o fim de que ele fosse uma espécie de tribuna livre para protestos contra espoliações como a praticada pelos bancos, além do que (e o mais importante de tudo) seria um espaço para traçarmos estratégias de ação contra esses abusos, lançando mão de uma medida simples, pacífica, mas muito eficaz: o boicote.

O boicote funciona, isso é inegável. Tanto na marcha do sal, liderada por Gandhi, como nos movimentos diários de donas de casa de pequenas cidades norte-americanas, com protestos contra a mercearia do bairro, o boicote é uma ação que produz resultados em pouco tempo, e resultados consistentes.

Mas boicote não se faz sozinho… Por isso mesmo é que criei o site mencionado. Depois de quase duas semanas no ar, porém, constato que ele teve muitas visitas (pelo sistema é possível verificar isso), mas mereceu apenas um comentário, ou seja: só uma pessoa disse “estou aqui!”

Agradeço muito a essa pessoa por sua participação. Quanto aos que não responderam ao meu chamado, não posso deixar de desabafar: será que são todos banqueiros? Será que estão todos felizes com os juros cobrados? Se não são banqueiros e se não concordam com a gula bancária, por que não aceitaram o meu convite? Não é preciso nem deixar comentário: basta manifestar o desejo de receber o boletim com novidades do site (que consistirão, por exemplo, em propostas de boicotes).

Não desisto, porém. Volto a convidar todos para visitarem o Boicote.org, para assinarem – gratuitamente, é claro – o boletim de novidades do site. Lá poderá ser lido o artigo acima mencionado. Lá também é possível ouvir a sua leitura e meu comentário sobre ele e sobre o site.

Ou isso, ou daremos razão a uma atriz que, num quadro humorístico, repetia que “brasileiro é tão bonzinho…” Mas quando transplantamos esse humorístico para a vida real, a risada é dada pelos maus empresários. E eles estão rindo de nós, pela passividade e pela desorganização que demonstramos o tempo todo.

Vamos fazer algo?

– x – x – x – x –

P.S.: Por falar em bancos, preciso fazer uma homenagem e um questionamento. A homenagem é ao meu amigo Rogester, que foi, por muitos anos, gerente da agência da Nossa Caixa de São Sebastião. Profissional muito atencioso, extremamente eficiente, merece minha amizade, minha gratidão, meu aplauso. Com a mudança da Nossa Caixa para Banco do Brasil, passei a ver o Rogester prestando atendimento na área externa, orientando os usuários dos caixas eletrônicos. Essa função, que eu saiba, sempre foi executada por estagiários. Sem nenhum demérito aos estagiários, creio que aquela função não é a mais indicada para um profissional com anos e anos à frente da gerência. Seria como colocar o ex-diretor clínico de um hospital na recepção, a fim de agendar consultas (aqui, também, sem desmerecer os profissionais escalados para tal função). Já li que o McDonald’s tem por norma, uma vez por ano, colocar seus diretores para fritarem batata, lavarem banheiros ou em outro serviço nas suas lojas, a fim de se familiarizarem, efetivamente, com todas as atividades da empresa. Considero essa ideia brilhante. Se for isso o que estão fazendo com o Rogester, deixo aqui meu elogio. Mas se não for isso, confesso que não entendi. De qualquer forma, vi que, mesmo na sua atual função, o Rogester está dando o seu máximo. Meus parabéns, Rogester!




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em fevereiro de 2011.

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Baú do Odair

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