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E NÓS ACREDITAMOS…

Grande parte dos executivos e intelectuais mais bem sucedidos (ou pelo menos com maior exposição nos meios de comunicação) se declaram ateus. Além disso, eles consideram as pessoas que acreditam em Deus como sendo simplórias, ignorantes, supersticiosas; em resumo: inferiores.

Nem vou discutir se, de fato, os crentes são mais ou menos inteligentes do que os descrentes. E não vou entrar nessa discussão, porque, no fundo, todos são crentes. Só o que muda é o objeto da crença, o destino da fé. Uns acreditam em Deus; outros, em qualquer coisa. Vejamos…

Nesta semana, foi manchete em todos os jornais: “Brasil cai para 47° lugar no novo ranking mundial da democracia”. Trata-se de um “estudo” feito de dois em dois anos pela “Economist Intelligence Unit”, órgão ligado à famosa revista britânica “The Economist”. Os “estudos” que levam a tal ranking devem ser muito científicos, muito precisos, uma vez que as notas dos países chegam a ter duas casas depois do ponto decimal. O Brasil, por exemplo, que foi classificado no grupo das “democracias imperfeitas”, no item “cultura política” teve nota 4,38; já em “participação política”, nossa nota foi 5; no quesito “processo eleitoral e pluralismo”, obtivemos 9,58; tiramos 9,12 em “liberdades civis”. Enquanto isso, os Estados Unidos, mantenedores de Guantánamo, invasores do Afeganistão e do Iraque, são vistos como uma “democracia plena”.

Fico imaginando como é científico o método que chega a tais notas… Deve ser tão científico como o que é usado para definir o “risco-país”.

É inacreditável como os meios de comunicação do mundo inteiro podem repercutir esses “estudos”, que nada mais são do que “achismos” feitos por uma dúzia de executivos, políticos, “nerds”ou similares.

Esses estudos se comparam a “índices” que, frequentemente, aparecem na imprensa, quantificando o dinheiro movimentado por atividades ilegais. Se as atividades são clandestinas, como se pode saber a quantidade do dinheiro movimentado por elas? Será que os bandidos declaram imposto de renda sobre o que arrecadam com o tráfico ilegal de drogas ou com o contrabando de armas?

Essas notas, classificações e valores são tão científicos como o julgamento do quesito “alegoria” no Carnaval…

E o pior de tudo: as pessoas saem repetindo essas “informações”. Até mesmo os ateus, que não acreditam em Deus, saem por aí repetindo esses dados…nos quais acreditam piamente…

Prefiro acreditar em Deus.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em dezembro de 2010.

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UM

Baú do Odair

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