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ECLESIASTES

Na semana passada, tive interesse em ler algo sobre determinada área da Medicina. Entrei numa
página da Internet, então, a qual constava como sendo de um especialista na área de meu interesse. Nela,
procurei dados sobre aquele médico, encontrando um texto que assim se referia a ele: “o jovem e brilhante
médico…”. Conferi que aquela página era, mesmo, dele. É claro que desisti de ler qualquer coisa escrita por
uma pessoa tão tristemente vaidosa.
Pensando nesse assunto, porém, constatei que nada é tão unânime como a vaidade humana. Não que
todas as pessoas se autoqualifiquem como brilhantes, mas de várias outras maneiras elas se entregam ao
ridículo hábito de jogar fermento sobre seus egos.
Tive um professor, na faculdade, que, sem nenhuma relação com o contexto de sua exposição,
descrevia suas viagens internacionais. Era evidente que seu único objetivo era desfilar seu ego turístico sobre
nós.
Costumo ler cartas e entrevistas de pessoas que fazem questão de se autodenominar “especialistas”
nesta ou naquela matéria. Alguns deles, aliás, estão aposentados. Hoje, são “especialistas” nas áreas em que
trabalharam. Mas quando estavam na ativa, não aplicaram nada do que hoje pregam… Por exemplo, ninguém
entende mais de Economia do que ex-ministros da Economia.
Seriam infinitos os exemplos de tristes desfiles do ego. Uns andam em carros luxuosíssimos,
exibindo-se perante a multidão, gritando um urro de vencedor no mundo da matéria. Outros fazem mil
cirurgias plásticas, usam dez mil cosméticos, vestem-se com cem mil grifes, com o único objetivo de
ganharem uma aparente imortalidade no mundo da matéria.
Todos querem sair sorrindo – um sorriso falsamente largo, constrangedoramente profundo – em
revistas semanais de futilidades.
Em resumo, só uma constatação pode ser feita sobre a Humanidade: ela é ridícula ao tentar, de
forma desesperada, fazer seu ego se transformar em algo grande, em algo eterno.
O mais ridículo, mesmo, é que essa mesma Humanidade não se lembra de que o ego é uma grande
mentira, mentira que encobre o verdadeiro Eu, o qual é infinito e eterno.
Se aquele médico se lembrasse de seu verdadeiro Eu, constataria que é, foi e sempre será muito mais
do que jovem e brilhante: ele é, foi e sempre será a própria Luz.
Mas quebrar o ego incomoda…
-x-x-x-x-x
P.S.: Hoje, seis de fevereiro, faz dois anos que minha Mãe morreu. Ainda dói muito, muito, mesmo.
O melhor que posso fazer neste dia é convidar todos a amarem cada vez mais suas mães…e seus pais, e seus
irmãos, e seus amigos, e seus inimigos. Mãe, eu desejo toda a Paz para a Senhora! Fica com Deus, minha
Mãe!




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em fevereiro de 2010.

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