ESTÁ TUDO ERRADO

​Dias atrás, um ônibus caiu de um viaduto, no Rio de Janeiro, causando a morte de sete pessoas, bem como ferimentos em outras onze.  O que mais me chamou a atenção nas imagens do acidente foi a fragilidade do ônibus: parecia um pastel; o teto do ônibus praticamente grudou no assoalho.

​Não é preciso ser engenheiro mecânico para perceber que, para se evitar o esmagamento de passageiros em casos como o que foi descrito, deveriam existir barras que absorvessem o impacto.  Nos ônibus que circulam por nossas ruas, do assoalho para cima, em termos de segurança, é tudo tão rígido como casca de ovo.

​A verdade é que até gado é transportado com mais segurança.  Onde estão os cintos de segurança?  E os encostos de cabeça, a fim de evitar lesões fatais no pescoço, em caso de colisão traseira?

​Não bastasse isso, são frequentes as notícias de blitzes nas quais se constata que os pneus dos coletivos estão sem a mínima condição de segurança.

​Será que os maus “empresários” do ramo de transporte coletivo não possuem uma gota remanescente de humanidade?  Será que o único móvel de suas vidas é a ganância sem fim?  Ia esquecendo: não bastasse todo esse caos, o motorista ainda é obrigado a cobrar a passagem e dar o troco.  Você não leu errado: embora os motoristas de automóveis não possam dirigir falando ao celular, os motoristas de ônibus cobram passagem, enquanto conduzem com suas mãos dezenas de vidas nessas latas de sardinha frágeis como ovo.

​Grande parte da culpa por esse quadro selvagem, porém, cabe aos próprios usuários do serviço de transporte coletivo.  De fato, enquanto, por exemplo, muitos executivos e autoridades, na Europa,  viajam de ônibus, no Brasil esse meio de transporte é visto como destinado a quem (ainda) não conseguiu comprar seu carro ou pagar um táxi.  Os usuários não estão muito preocupados em melhorar o transporte coletivo; eles querem poder ter um carrão e passar pelo ônibus que antes usavam…dando uma banana para os passageiros do “busão”…

​Em resumo, tanto nos maus empresários, como nos maus usuários, o problema é o mesmo: ganância sem freio.

​Não se faz um país com essa matéria-prima…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em abril de 2013.

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Baú do Odair

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