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EVITE ESPIRRAR COM FAROFA NA BOCA

Na minha última coluna, escrevi sobre as regras que devem ser seguidas pelos entregadores de pizza. Já que estou nesse tema, vou tecer algumas considerações sobre outras regras de etiqueta que merecem nossa atenção.

É claro que muitas das regras de etiqueta não passam de bobagem vazia, fútil, sem sentido. Algumas, porém, são úteis, até mesmo necessárias, como a do título deste artigo.

Digamos que você vá a uma pizzaria ou outro restaurante qualquer. Inicialmente, você vai ao banheiro e lava as mãos. Senta-se, então, e eis que surge um conhecido que estende a mão para cumprimentá-lo. Você não sabe de onde seu amigo veio, muito menos onde ele colocou aquela mão, antes de estendê-la em sua direção.

Eis aqui uma regra necessária e higiênica: quem chega num restaurante e encontra um amigo, nunca deve estender a mão para o cumprimento. Em vez disso, pode fazer um aceno, uma saudação com os olhos, um meneio de cabeça, dar um tapinha (tapinha, não tapão!) nas costas.

Mas é claro que, se o amigo – por uma vontade incotrolável de cumprimentá-lo, por desconhecimento das regras de etiqueta ou por pura sacanagem, mesmo – estender a mão em sua direção, não o chame de mal-educado: cumprimente-o normalmente. A seguir, aguarde alguns minutos e vá lavar as mãos novamente.

Também é óbvio que, se você chegar num restaurante, e um amigo que lá estiver comendo estender a mão para um cumprimento, não vá explicar que ele não deveria fazer aquilo: simplesmente cumprimente-o…e se dirija ao banheiro.

Por falar nos locais onde as pessoas colocam as mãos, eu vou repetir algumas observações sobre um lamentável hábito masculino: o de coçar, ajeitar, apalpar as denominadas partes baixas. Sim, refiro-me àquela atividade cientificamente denominada “coçar o saco” (em seu sentido técnico, não no figurado).

É difícil, quase impossível encontrar algum homem (sou uma exceção, é claro) que não tenha essa mania, esse vício de coçar o saco (e adjacências). Alguns são discretos: como mágicos, coçam-se tão dissimuladamente, que quase não percebemos. Outros, porém, dão a impressão de estarem executando um verdadeiro procedimento cirúrgico, com movimentos exploratórios, amplos, incisivos. Existem até alguns radicais, que se coçam enfiando a mão por dentro das calças.

Um ponto importante a ser observado é que o ato de coçar o saco não termina na coçada. Parece que existe uma força insana, incontrolável, irresistível que leva os coçadores a quererem cheirar a mão que foi usada na coçada. Aqui, também, os tipos variam. Uns vão direto ao ponto, sem rodeios: levam a mão do local da coçada ao nariz; sorvem a fragrância, até analisam-na (como se estivessem dando nota para o aroma constatado). Outros tentam despistar: dão uma volta com a mão para a direita, para a esquerda, ajeitam o cabelo, alisam a sobrancelha, e a mão vai descendo, descendo, até passar rapidamente pelo nariz, não tão rápido, porém, a ponto de impedir uma fungada, também discreta, para coletar o perfume.

Realmente, isso é um saco!




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em junho de 2012.

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Baú do Odair

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