FÊNIX

Dizem que, se a pessoa pensar muito, não casa. Não sei se isso é verdade para o matrimônio, mas esse conhecimento se aplica, sim, a muitas situações da vida.

Você já teve – na rua, no restaurante, no bar – aquela baita dor de barriga, aquela que faz suar? Falo daquela dor de barriga que toma todo o sentido da existência, reduzindo tudo a uma única questão vital: “onde eu vou fazer”? Pois eu já tive essa dor. E sei que, para se fazer uso de banheiros públicos ou de estabelecimentos comerciais, não se pode pensar. Isso é ainda mais grave, quando se trata de algum boteco estilo portal do inferno. Não se pode pensar: é entrar e fazer; só isso.

Esse princípio também se aplica, por exemplo, à retirada de esparadrapo de feridas. Pior do que isso, só mesmo tirar cabelo da orelha com aquelas fitas de depilação. Por ironia divina, meus cabelos estão em duas marchas: para o Leste e para o Oeste. Minha cabeça está cada vez mais lisa; minhas orelhas…cada vez mais lembram o peito do Tony Ramos. Se pensar, ninguém puxa aquela fita.

Dei toda essa volta para dizer que, nos últimos meses, entrei numa brava crise existencial, crise interna, íntima, sem uma causa aparente. Voltei a vícios que havia abandonado, abandonei a alimentação balanceada para diabéticos (reengordando os quarenta e dois quilos que havia perdido), parei com minhas caminhadas diárias, larguei a meditação. Eu não caí: eu afundei.

Nesse processo, também parei de escrever. Pensei muito em voltar…

Voltei! (Pelo menos a escrever.)

Mas estou pensando…quem sabe se…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em abril de 2014.

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Baú do Odair

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