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GERMINAL

Esta é a má notícia: mudar é difícil.

Quem fuma, fuma porque gosta – e muito – de fumar.  Isso vale para todos os vícios, seja qual for a fuga escolhida: tabaco, álcool, maconha, cocaína, trabalho, sexo, vaidade, fama, riqueza, poder, bondade aparente, ira, inveja, etc.

Quem bebe, bebe porque gosta – e muito – de beber.  Quem busca ostentar o bem que faz gosta – e muito – de ser admirado por sua bondade.  E assim por diante…

É muito difícil –  quase impossível – escolhermos abandonar algo de que gostamos muito.  Podemos até largar a fuga em si, mas geralmente a substituímos por outra: sai o álcool, e entra a irritação; sai a luxúria, e entra o moralismo ditador de regras; sai a obesidade, e entra a tristeza.

A causa dessa trágica substituição é que a mudança não ocorreu de fato, só na superfície. 

A boa notícia é esta: quando chega seu momento de naturalmente acontecer, a verdadeira mudança é tão fácil, mas tão fácil, que nem conseguimos entender por que não mudamos antes.

Há muitos alcoólatras, por exemplo, que passam décadas ouvindo conselhos e sermões de seus pais, de suas esposas, de seus amigos, de seus médicos, de livros, de grupos de apoio, de seus filhos, de seus netos…e nada de parar de beber, mesmo diante das consequências cruéis do vício.  De repente, numa certa manhã de um dia qualquer, depois de contemplar um nascer do Sol, sem nenhuma explicação racional, o doente ganha a sobriedade.  E segue sóbrio até a morte, sem nenhuma substituição de uma droga por outra.  É como uma semente que estava esperando a estação certa para germinar…

Existe, porém, uma notícia verdadeiramente ótima: todas as mudanças com as quais sonhamos já aconteceram.  É isso mesmo: nós já mudamos…só não lembramos disso…

No mundo não há fumantes, não existem alcoólatras, não vive nenhum viciado em comida, cocaína, trabalho, sexo, orgulho ou em outra droga qualquer.  Isso não é uma frase de efeito, muito menos maluca: é a pura verdade.

Você pensa que fuma?  Você pensa que come demais?  Tenha certeza disto: o seu verdadeiro “Eu” não fuma, muito menos come em excesso. O seu verdadeiro “Eu” é pura Luz; não pode ser outra coisa.

O único problema é que raríssimas são as pessoas que se lembram disso.  E nessa amnésia, não conseguem alcançar a boa notícia, muito menos a ótima.  Seguem brincando de viver, com suas vidinhas medíocres, guiadas totalmente por seus egos medíocres, buscando poder, dinheiro, sexo, fama e outras fugas medíocres.

O mundo dito sério é um berçário: estão todos brincando de viver, sugando suas chupetas (que ganham nomes pomposos), desejando a todo custo o peito materno que pensam ter perdido.

Raros são os que alcançam a verdadeira Vida: estes são como crianças correndo por um campo lindo, sentindo o frescor da grama sob os pés, o ar fresco, o calor do Sol no rosto.  Por que usariam chupetas?  Sabem que o Universo é sua Mãe, que há leite em abundância, a qualquer hora.

Dançar é preciso…




Publicado originalmente no “imprensa Livre”, em outubro de 2009.

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