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IMPRENSA LIVRE

        Escrevo neste jornal há mais de vinte e um anos, desde quando seu nome era “Chip News” (bem no começo, aliás, eu assinava com um pseudônimo – Ridal Zubron). Aqui já tive até coluna diária. Já escrevi sobre Trânsito, Polícia, Religião, Política, Internet. Sempre procurei o lado mais simples da busca da espiritualidade, bem como o ângulo pitoresco do cotidiano, além da visão menos politicamente correta, menos unânime dos fatos.

        Sempre tive muita liberdade neste periódico. Grande exemplo disso é o que ocorreu no dia vinte e dois de agosto de 1996. Com o título “Ovo ou Omelete”, foi publicado um artigo no qual eu criticava a cobrança, por parte da Prefeitura de Itabira, dos danos ambientais causados pela Companhia Vale do Rio Doce, instalada naquela cidade em 1942. Meu artigo foi publicado integralmente. Ao seu lado, porém, saiu um editorial do Dr. Lourival Costa Filho, editor e um dos proprietários do jornal, no qual este discordava veementemente da minha opinião. O nome disso é Liberdade.

        E é em nome dessa Liberdade que, hoje, quero protestar sobre o trecho transcrito abaixo, da página A-3 da edição de vinte e cinco de novembro passado, relativo à comemoração dos vinte e quatro anos deste jornal:

        “Grandes nomes do jornalismo já tiveram textos nas páginas do Imprensa Livre como Alexandre Garcia, Boris Cazoy, Lílian White Fibe, entre tantos outros.”

        Não nego que esses são grandes nomes do jornalismo. Também não nego que tiveram textos publicados por aqui. Ocorre, porém, que eles não escreveram para o Litoral Norte. Seus textos foram (e são) vendidos por agências noticiosas, acabando publicados em vários órgãos da imprensa, de várias cidades do Brasil e até do exterior. Não há nada de errado nisso, mas eles não escreveram “para o Imprensa Livre”, no sentido estrito do termo.

        Mas muitas pessoas escreveram, sim, para este jornal – e muitas ainda escrevem – sem nada receberem, em termos monetários, por seu trabalho. E escreveram para nossa terra, para nossa gente. No próprio site do jornal, na seção de “articulistas”, podemos ver uma relação das pessoas que atualmente escrevem no jornal, como o Poeta Geraldo de Buta, o ex-deputado federal David Lerer e o Professor Gleivison Gaspar. Muitas outras, porém, fazem ou já fizeram o mesmo. Algumas até já morreram, como o Dr. Paulo Lima Delgado, polemista ferrenho.

        Polêmica também era a escrita do Dr. Sylvio Romero Nogueira, que se intitulava “Dom Quixote de São Sebastião” (atualmente, embora ele continue polêmico, é seu filho quem traz, toda semana, temas controversos para nossas páginas).

        Dá para esquecer a pura literatura da nossa escritora Doca Ramos Mello? E o que dizer do Mestre Dr. Vladnei F. De Lima e de seu “agregado” Nei de Serra Talhada? E aquele que é a memória vivíssima de São Sebastião, o “Seu” Alvinho, também conhecido como Álvaro Dória Orselli?

        Foram tantas as pessoas que aqui escreveram…como a jornalista Regina Helena Paiva Ramos, o médico Dr. Marcelo Ferraz Coelho, o ex-prefeito Luizinho. Não há como, nesta coluna, lembrar de todos os articulistas que escreveram ou ainda escrevem no Imprensa Livre. Peço, portanto, perdão pelas omissões, as quais ocorreram por absoluta falta de espaço, não de reconhecimento pelo que escreveram (ou escrevem).

        Friso que elaborei este lembrete não por vaidade, mas por entender que os colaboradores do jornal (os que citei e os muitos outros que deixei de mencionar) merecem pelo menos serem lembrados como tal. Deixo, assim, minha sugestão para que o jornal, na edição do seu vigésimo-quinto aniversário, não se esqueça de relacionar (todos) os colaboradores que teve desde sua fundação.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em dezembro de 2010.

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