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ISSO SÓ ACONTECE NO BRASIL

Diante de algum problema, algum acidente, algum escândalo, nós, brasileiros, sempre dizemos que “isso só acontece no Brasil”.

Consideramos nosso ensino muito ruim, um dos piores do mundo. Igual conceito temos da nossa segurança pública, dos nossos tribunais, dos nossos profissionais de Saúde, dos nossos políticos, de tudo que é nacional.

Nós nos consideramos vira-latas.

Repetimos elogios aos Estados Unidos, à Europa, ao Japão. Elogiamos até a política criminal da China, em comparação com a nossa, que seria muito branda (realçamos, entre as “qualidades” daquele país, que lá cobram da família do executado a bala usada na sua execução…).

É claro que o Brasil precisa melhorar muito em muitas áreas. Mas também é verdade que paraísos só existem em livros de religião ou de ficção.

Experimente colocar em algum mecanismo de busca da Internet expressões como preso inocente ou preso injustamente. Você verá muitos casos em vários países do mundo, mas a maior quantidade será nos Estados Unidos. São centenas as notícias de pessoas que ficaram anos presas nos Estados Unidos, mesmo sendo inocentes. Num dos casos, por exemplo, um homem passou 35 anos atrás das grades, injustamente. Um outro, por período quase igual, deixou, por um engano, de ser posto em liberdade, embora tivesse sido absolvido. Não foi no Brasil.

Embora estejamos falando de injustiças, é melhor nem entrarmos no assunto Guantánamo. O espaço seria insuficiente…

Em 2001, no Havaí, um submarino nuclear – o Greenville – com civis a bordo, em manobras de recreio, colidiu com um pesqueiro japonês, o Ehime Maru, que levava estudantes: houve nove mortes. Veja bem: era um submarino nuclear da Marinha dos Estados Unidos. Um simples sonar em bom funcionamento teria evitado essa tragédia. Não foi no Brasil.

O que dizer da diplomacia do Tio Sam, quando sabemos que 250000 – duzentos e cinqüenta mil! – documentos oficiais “vazaram” para o “site” “Whikileaks”? Isso não é um vazamento; isso é um Tsunami. E não foi no Brasil.

Vivemos falando mal da qualidade das nossas escolas, jogando-as no chão. Fazemos isso há anos, mesmo diante de notícias que – todos os anos – mostram estudantes de países do denominado primeiro mundo errando feio em várias matérias. E não estou falando do já folclórico “brilhantismo” de alguns adolescentes que nomeiam o Rio de Janeiro como a capital da Argentina… Não foi no Brasil.

Precisamos entender que todos os países possuem qualidades e defeitos, que todos os povos possuem pessoas boas e más, que essa história de mocinhos e bandidos é menos real do que a Fada do Dente.

Vale a pena reproduzir um trecho do Eclesiastes (1,9): “o que foi é o que será; o que acontece é o que há de acontecer.”

“ Não há nada de novo debaixo do sol”.

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P.S. 1 – Agradeço a gentil resposta da Editora Chefe do Imprensa Livre, Selma Almeida, ao meu artigo da semana passada.

P.S. 2 – Amanhã, domingo, às 19h30min, no Teatro Municipal de São Sebastião, ocorrerá o “Tributo ao Palhaço Chupetinha”. Tive a honra de receber o convite do próprio Chupetinha, o qual muitas vezes alegrou a infância de meus filhos (e me alegrou, também).




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em dezembro de 2012.

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Baú do Odair

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