MANUAL DE INSTRUÇÕES (pizza)

        Preciso dar continuidade aos meus comentários sobre esse setor fundamental para o bom andamento da nação, imprescindível para a manutenção da vida de todos: o setor das pizzas.

        Hoje vou abordar um dos últimos elos dessa atividade: o entregador de pizza. Traço, abaixo, um manual resumido para que o nobre produto seja entregue da melhor maneira possível:
            1 – É inimaginável que as pizzas sejam transportadas sem aquele negócio, aquele que se parece com uma micro-mesa com três pernas e um furo no centro, com o fim de se evitar que os ingredientes da cobertura da iguaria passeiem pela massa (aproveito para frisar que pizza tem cobertura, não recheio, com exceção da calzone, bem como, eventualmente, das bordas especiais). Mesmo com aquela mesinha, porém, se o motoqueiro fizer as curvas como se estivesse num filme de ação norte-americano-japonês, a pizza vai chegar com 90% da mussarela em apenas uma das suas metades. Os entregadores, portanto, precisam conduzir suas motos com a menor inclinação possível.
            2 – Um ponto muito importante: ficam terminantemente proibidas aquelas buzinadas alucinantes no portão da casa dos clientes. Em vez daquele irritante biii…biii.biii, que o entregador toque a campainha da casa ou bata palmas. Um relativamente discreto “olha a pizza!” é admissível (mantendo-se, assim, a inveja dos vizinhos). A propósito, não são apenas os entregadores de pizza que têm essa irritante mania de buzinar (o que, além de irritante, é muito deselegante). No caso deles, porém, isso se agrava, uma vez que essa irritação pode prejudicar nossa concentração prévia para a degustação do precioso disco.
            3 – Para se evitar que a pizza esfrie antes da hora, é muito importante que o entregador observe este roteiro: primeiramente, deve ser feita a cobrança; depois, a entrega de refrigerantes e outros acessórios; por último, a transmissão da personagem principal.
        Tendo sido observadas essas disposições técnicas, cabe ao cliente, então, providenciar uma caixinha adequada à solenidade do ato.
        Aproveito para exaltar esses profissionais abnegados, verdadeiros mensageiros do prazer alimentar.
        Deu fome…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em junho de 2012.

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Baú do Odair

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