Não desejo um Feliz Ano Novo.

O ano de 2008 será, para mim, inesquecível – no bom e no mau sentido: em fevereiro, minha Mãe morreu; em março, quase morri; nos meses seguintes, morreram meu beber, meu fumar, meu comer louco, meu sedentarismo suicida, tudo culminando com 33 quilos a menos e horas diárias de meditação e de caminhada a mais.

Em 2008, mudei muito. Mudou, também e principalmente, minha maneira de ver, de sentir a Vida.

Por exemplo: sempre soube que religião significa re-ligar. Imaginava, porém, que se tratava de religar o Homem a Deus. Esse conceito mudou…transformou-se…

Na verdade, senti de uma maneira nova vários velhos conceitos. Embora tenha lido textos básicos de diversas religiões, fui criado dentro do Cristianismo, onde bebi muitos conceitos. Jesus disse que todos somos Deuses; que podemos ser um com o Pai, assim como Ele o era; que o Reino de Deus está dentro de Nós; que a Verdade liberta.

Purificando tudo isso no fogo da Verdade, senti que a Religião oferece pistas no sentido de me religar comigo mesmo, único Caminho para ser Um com Deus. E essa religação só pode acontecer agora, aqui.

Levando esse sentimento às últimas conseqüências, tive momentos de verdadeiro êxtase em situações prosaicas. Caminho todos os dias, ao mesmo tempo praticando uma ou duas meditações. Em muitas dessas caminhadas tive momentos de plenitude que nunca tivera antes. Nada de sobrenatural aconteceu, apenas coisas como chover em meu rosto. Mas nesse momento senti que a chuva, as árvores, meu rosto, tudo estava plenamente conectado. Mais que felicidade, senti plenitude.

Escrevi tudo isso para explicar que não consigo mais desejar “feliz ano novo”. Isso, para mim, é bobagem… Desejo, isto sim, que você seja pleno agora, onde estiver.

Osho, um místico humanamente amado e odiado, dizia que vivemos como mendigos que possuem um tesouro escondido. O único problema é que somos esquecidos. Não nos lembramos de que temos o tesouro… E em conseqüência de nosso esquecimento, vivemos como mendigos…

Não existe nada mais deslumbrante do que Ser, Agora. E Você É, Agora. Sem o passado, com suas culpas; sem o futuro, com seus medos e ansiedades; sem julgamento, eis que no bem está o mal, no mal está o bem; sem desejos de sucesso, pois neste estão as sementes do fracasso espiritual. Não existe bem ou sucesso maior do que Ser, Agora.

Desejo que todos no lembremos de que já temos o maior dos tesouros. Desejo que Sejamos, Agora, Plenamente…

Só tudo isso…mas de verdade…

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P.S.: Estou com uma sobrinha e um sobrinho verdadeiramente inconsoláveis pelo desaparecimento de sua cachorra “Luara”, uma Coker com 8 anos, pelo longo, marrom e branco. Ela desapareceu no Indaíá, em Caraguatatuba. Qualquer informação poderá ser enviada para meu email [email protected] . No site www.litoral.net, há uma foto dela. Desde já agradeço qualquer ajuda.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em dezembro de 2008.

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Baú do Odair

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