O QUE FAZER?

​Eu estava no quintal, navegando pela Internet.  De repente, tive a impressão de ter visto algo  se mexendo no piso debaixo da churrasqueira.  Então a impressão ganhou status de realidade: um rato saiu de lá, vindo em minha direção.  Não, não pulei, mas confesso que fiquei meio sem saber como reagir àquela invasão.  Corajosamente, então, dei dois passos para trás; o rabudo passou por mim, sem nem mesmo se apressar, e foi para uma grelha que dá acesso à galeria de águas pluviais.  Para os que já estão achando que eu deveria ter, pelo menos, chutado o rato, esclareço que estava de chinelo (eu, não o rato).

​Fiquei indignado…muito indignado.  Nem tanto pela presença do rato (pelo menos uma vez por ano recebo esse tipo de visita, oriunda do esgoto ou da galeria citada).  O que me deixou irado foi o fato daquele animal nem mesmo ter acelerado o passo diante da minha presença.  Ele pediu guerra, e eu estava pronto para a luta.

​Não, não queria saber de ratoeiras ou papéis com cola: naquelas, quase sempre, sumia a isca; estes, por sua vez, acabavam misteriosamente sumindo.  Desta vez a artilharia seria pesada: comprei uma armadilha, armadilha grande.  No seu interior é colocada a isca; quando o rato tenta alcançar a iguaria, cai no fundo e fica lá, sem saída.

​A guerra durou só uma batalha.  Pela manhã, lá estava o animal acuado, com um rabão enorme.  Não sou de questionar o “design” divino, mas para que serve um rabo tão desproporcional?  Parecia um eletrodoméstico desconectado da tomada.

​Bem, lá estava a minha presa, meu prisioneiro de guerra.  Percebi, então, que sobrava uma “pequena” questão: quem vai matar o rato?  Olhei para ele: tinha um cabeção; olhava para mim com ar de cachorro “pidão”, mexendo o nariz e as orelhas (cada uma em um sentido próprio).

​Tudo na minha casa ganha nome, da geladeira ao automóvel.  Não demorou muito para que o meu prisioneiro passasse a ser chamado de Tomás.

​Ninguém na minha casa estava com coragem de matar o Tomás…muito menos eu.  Diante desse impasse, como ele havia comido a mortadela que usara como isca, nada mais justo do que fornecer uma última refeição ao condenado à morte.  Joguei um pedaço de queijo naquela verdadeira gaiola.  O Tomás demorou um pouco, mas acabou atacando a iguaria.  Improvisei um recipiente com água.  Iria resolver o seu destino com calma.

​À noite, fui para o quintal beber cerveja, comer salame e pensar no que fazer com o prisioneiro.  Descobri que o Tomás gostava muito de salame….e de cerveja, também (passou a passear pelas grades da gaiola, para cima, para baixo, para os lados…uma mordida no salame, mais um gole…).  Já estava tarde…”amanhã eu resolvo”!

​A verdade é que já se passaram alguns dias.  Eu sei que não posso ter um rato de esgoto como bicho de estimação.  Eu sei que vou precisar dar uma solução para esse caso.  Mas por enquanto…eu vou comprar mais salame.

–  –  –  –  –  

P.S.: Fiquei um tempo sem escrever neste espaço, em razão de uma brava crise existencial-cívico-etílica.  Voltei.

P.S. 2 – Embora a Argentina esteja passando por uma crise delicada, o assunto nacional é a calça “legging” que a presidente Cristina Kirchner usou dias atrás.  Trata-se daquela calça apertada, que gruda na pele, acentuando (ou simulando) as curvas carnais.  Moral da História: com calça ‘legging” , até eu fico gostoso.

P.S. 3 – Quer mais?  Só em http://www.nuaecrua.com

P.S. 4 – Estou com uma dor de dente do cão!




Publicado pelo “Imprensa Livre”, em setembro de 2013.

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Baú do Odair

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