PECULIARIDADES

​ Nasci em São Paulo, onde vivi por quase vinte e sete anos.  No dia primeiro de junho de 1988, desembarquei em Ubatuba; um ano depois, vim para São Sebastião, onde moro até hoje.  Eu já me vejo como caiçara; eu realmente amo o Litoral Norte.

​ Não nego, porém, que algumas peculiaridades daqui ainda me espantam.  Se não me engano, já contei a primeira delas, ocorrida em Ubatuba.  Entrei na padaria e pedi uma média e um pão com manteiga.  O balconista pediu que eu repetisse o meu pedido, o que eu fiz.  Percebi que ele saiu com um ar meio estranho.  Logo depois, chegam à minha frente um pão com manteiga…e um pãozinho…sem nada.  Resumindo: na Capital, a média consistia em um copo de café com leite; em Ubatuba, era simplesmente um pãozinho…

​ Outra cena que só vi no Litoral Norte: cachorros dormindo em pleno leito das ruas, sem nem aí para os automóveis que passam ao seu lado.  Você está dirigindo seu carro, avista um cachorro sonhando no meio da rua; o cachorro levanta o focinho, abre um pouco os olhos e volta a dormir (deve pensar: “ah, é só um carro…ele que desvie”).  E é claro que o desvio é feito.

​ Outro detalhe que me espantou: os pombos (ou melhor: a falta de velocidade deles).  Em São Paulo, nunca vi um pombo atropelado.  Já por aqui, quase todo dia cruzo com uma dessas aves estatelada no asfalto.  Na Capital, por mais que os veículos sejam conduzidos em alta velocidade, todos os pombos conseguem fugir a tempo de não serem atropelados.

​ Talvez a peculiaridade mais esquisita seja o comportamento de alguns pedestres.  São muitos os que dão as costas para o fluxo de veículos e começam a atravessar.  Parece que pensam assim: “se eu não olhar para os carros, não vou ser atropelado por eles”).  Se alguém tentar fazer isso em São Paulo, certamente logo será atropelado.

​ Estranho…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em outubro de 2013.

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