QUAL SUA OPINIÃO?

Num determinado leito de um determinado hospital, um determinado paciente está com um
gravíssimo edema cerebral. Tal paciente está sendo tratado por um médico que, além dos dez anos
de faculdade e de residência, possui mais algumas décadas de prática. Esse médico está prestes a
decidir o tratamento a ser adotado, consistente na craniotomia descompressiva bifrontal. Você (seja
ou não um médico) não leu nem uma linha da ficha clínica daquele paciente. Mesmo assim,
gostaria de saber sua opinião: o tratamento a ser adotado deve, mesmo, ser a craniotomia
descompressiva bifrontal?
Então…qual a sua opinião?
Imagino que a quase totalidade responderá que não é médico, não tendo, por consequência,
condições técnicas de opinar. Imagino que os leitores médicos deixarão de dar uma opinião, em
razão de não conhecerem a ficha clínica do paciente. Imagino, por fim, que todos resolveremos
deixar a decisão a cargo daquele médico com décadas de janela.
Por que, então, todos…todos se acham no direito de dar pitaco no julgamento denominado
“mensalão”? A grande maioria dessas pessoas não possui nenhum conhecimento de Direito; aliás,
não conhecem quase nada…ponto. Mesmo assim – repetindo o que os grandes meios de
comunicação ditam – emitem suas “opiniões” com uma firmeza digna de um jurista brilhante.
Por falar em jurista brilhante, Ives Gandra da Silva Martins, com 78 anos de idade e 56 de
advocacia, além de dezenas de livros publicados, expressou, em recente entrevista concedida ao
jornal “Folha de S. Paulo”:
“Eu li todo o processo sobre o José Dirceu (…) Não há provas contra ele. Nos embargos
infringentes, o Dirceu dificilmente vai ser condenado pelo crime de quadrilha.”
Igual conclusão foi esposada por mim, meses atrás, neste espaço. E muitos me criticaram…
Por que quase todos acham que são juristas?
Por que quase todos acreditam piamente no que a grande imprensa prega?
A resposta é esta: porque quase todos ignoram quase tudo; porque quase todos pensam que a
História começou hoje de manhã.
Mais uma vez: tudo começa (ou pelo menos deveria começar) na Educação.
É triste…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em outubro de 2013.

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Baú do Odair

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