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“QUE É A VERDADE?” (Jo, 18, 38)

Não obstante a quase totalidade dos jornalistas e grande parte das empresas do setor mereçam nosso respeito, vários órgãos da grande Imprensa, durante a campanha eleitoral para o primeiro turno, agiram – para dizer o mínimo – de uma maneira não muito ética.

Foram dados como furos de reportagem notícias de dois ou mais anos atrás, “coincidentemente” requentadas às vésperas da eleição.

Muitos boatos foram elevados à condição de notícia, enquanto fatos verdadeiramente ocorridos foram pura e simplesmente omitidos.

Tudo indica que a decisão sobre o que e como publicar passa pela análise das respectivas consequências para este ou aquele partido político.

O nome disso pode ser qualquer um, menos jornalismo…

A liberdade da Imprensa é um princípio fundamental, que deve ser sempre preservado, sem condições, sem limites que não seja a Lei. Isso é indiscutível, sem dúvida, pelo menos com relação à Imprensa que começa com letra maiúscula. O problema é que existem órgãos que – embora grandes em termos de estrutura ou de audiência – são minúsculos em comportamento ético.

Já se produziu, por exemplo, em mais de uma ocasião, muita fumaça por causa da suposta elaboração de dossiês de um candidato contra o outro. Em primeiro lugar, não é crime elaborar dossiês, não é crime divulgar dossiês (“pode”, é claro, ocorrer crime na coleta das informações, bem como a sua divulgação “pode” representar calúnia, difamação ou injúria). Em segundo lugar, o mais importante (e menos hipócrita): qual político não vasculha a vida de seu concorrente?

Já houve notícias bombásticas, publicadas durante campanhas eleitorais, cuja única testemunha já estava morta anos antes da publicação. Vale dizer: a única “prova”, então, era a memória do jornalista, para quem a tal testemunha teria contado os fatos estrondosamente noticiados… Conveniente, não?

O pior de tudo, porém, é que não é dado o mesmo destaque ao reconhecimento do erro da “informação” anteriormente divulgada, ou simplesmente o erro não é reconhecido (na semana passada, por exemplo, foi noticiada – erroneamente e sem desmentido – a morte de um candidato…). Outro exemplo: há poucas semanas, o Poder Judiciário arquivou o caso referente a um suposto dossiê, que repercutiu imensamente na campanha eleitoral de 2006. Quase nenhum órgão da grande imprensa divulgou esse arquivamento. Por quê?

Com a a revogação da Lei de Imprensa, ganhamos um vácuo legislativo sobre o tema. O Código Penal e o direito de resposta não estão sendo suficientes para conter os abjetos excessos da falta de ética de alguns órgãos da grande Imprensa. Algo precisa ser feito, urgentemente. Uma boa sugestão é a criação de algum órgão como o CONAR (Conselho de Autoregulamentação Publicitária).

Ninguém quer a volta da censura, é claro. Mas a irresponsabilidade atual, verdadeira formadora de manipulações, precisa acabar.

No dia 20/10/2005, dei uma sugestão para aumentar a Democracia na Imprensa: a destinação de uma pequena porcentagem do espaço ou do tempo dos meios de comunicação para manifestação do público. A cada hora na TV, por exemplo, três ou seis minutos seriam destinados à participação do público. Caso a emissora rejeitasse essas manifestações, um órgão (como o CONAR) sortearia quem teria direito a esse espaço. Para ouvir essa minha sugestão, visite http://www.zinda.com.br/arquivo/1 (nessa página há acesso para a edição de 20/10/2005).

O título do artigo de hoje corresponde a uma pergunta cinicamente feita por Pôncio Pilatos a Jesus Cristo. Ela não tem resposta até hoje… Essa pergunta chega a ser bela, desde que tenha sua origem na humildade da dúvida, no reconhecimento da imperfeição do ser humano, na constatação da impermanência das coisas, na consciência de que sabemos muito pouco. Quando, porém, essa pergunta nasce do cinismo, ela é abjeta…

E não podemos nos esquecer de que o cinismo já salvou a pessoa errada, colocando na cruz quem era nosso Irmão maior…

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P.S.1: Volto a destacar que um dos raros órgãos que merecem nossa atenção é a revista “Carta Capital”, semanalmente nas bancas ou em http://www.cartacapital.com.br

P.S.2: Conheço um rapaz, pouco mais de 30 anos, boa pessoa, com formação e experiência na área de vigilância, casado, com filhos, o qual está procurando trabalho. Se alguém quiser empregá-lo, favor entrar em contato pelo meu email [email protected] Obrigado.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em outubro de 2010.

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Baú do Odair

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