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Quem quer ser um fracassado?

Os grandes mestres sempre foram taxativos: não existe método, nenhum método. Também
não existe fórmula, nem receita, nem remédio. Roteiro também não existe.
Quem compreende convictamente isso, alcança um ponto em que tudo é método, da
respiração ao abraçar. Tudo é uma fórmula, uma receita para se chegar à Luz. Tudo passa a
funcionar como um remédio contra o adormecimento vital.
Mas alcançar esse ponto é, para nós, em nosso estágio atual, muito difícil…dificílimo…quase
impossível…
Método nada mais é do que um guia no qual está traçado o caminho a ser seguido. Esse é o
problema: a verdadeira busca não é um caminho que nos leva a algum lugar distante de nós, mas
sim um perceber quem realmente somos. É uma viagem para dentro, não para fora. É, mais
precisamente, um desmoronamento do nosso falso eu. Se não há caminho, como pode haver
método?
Podemos fugir para livros, para igrejas, para grupos, para qualquer falso paraíso criado por
nós, pelo mundo, pela ciência, mas a verdade é esta: só podemos despertar depois do
desmoronamento de nosso ego.
Desmoronamentos não costumam ser agradáveis. Nós queremos o melhor emprego, o maior
salário, o melhor carro, fama, poder, dinheiro, conforto. E aí vem alguém aconselhar o
desmoronamento?
Quase todos dizem que é possível conciliar a busca espiritual com uma vida normal aos
olhos do mundo material. Isso é uma grande mentira.
Jesus disse isso de outra maneira, quando advertiu que não se pode servir a dois senhores.
Aliás, Jesus tinha uma rede de carpintarias?
Buda voltou ao palácio e assumiu seu lugar de herdeiro do trono?
Francisco de Assis expandiu o negócio de confecções de seu pai?
Chico Xavier criou “resorts” de meditação espírita?
Não, nenhum deles foi um sucesso para o mundo. Muito pelo contrário: foram grandes
fracassos aos olhos do mundo material.
Quem busca a Luz está fadado, portanto, a ser visto, pelo nosso mundo, como fracassado.
Isso é inevitável.
Sendo otimista, imagino que, para cada dez milhões de pessoas, apenas uma tente buscar a
Luz. Não me refiro a pessoas que professam uma religião ou seguem líderes, livros, tradições. Falo
de verdadeiros, plenos, radicais buscadores. Destes, por sua vez, apenas um em cada cem continua
na trilha, depois que os desmoronamentos começam. É muito difícil…muito difícil…praticamente
impossível…
Ser um vencedor para este mundo é muito mais fácil, muito mais confortável, muito mais
gostoso, mesmo que seja uma mentira fugaz.
É um beco, mas tem saída, sim. Pode ser como passar um elefante pela narina esquerda de
um pardal, mas não deixa de ser uma saída…
Quem quer ser um milionário?




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em novembro de 2009.

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Baú do Odair

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