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Sem parar de dançar

Posso dizer, sem nenhum medo de exagerar, que sou especialista em consumo, especialmente de produtos alimentícios.  Também sou especialista em buscar a verdade por trás de ofertas, promessas boas demais, etc.

A minha verdadeira especialidade consiste em descobrir os produtos mais saborosos.  Como exemplos, posso citar o azeite extra-virgem “Cocinero”: ele é argentino, relativamente barato, mas – sem nenhuma dúvida – o mais gostoso.  Requeijão?  O “Aviação” é imbatível; até a versão “light” é saborosa.  Feijão, por sua vez, não existe nenhum tão bom como o “Broto Legal”.  Massa para pizza de frigideira?  Só se for “Crock”.

Veja bem: eu estou dizendo que esses produtos são os mais gostosos; não posso garantir que sejam os de melhor qualidade.  Mas como se diz, “o que é de gosto é regalo da Vida”…

Assim como existem produtos saborosos, existem, também, aqueles verdadeiramente horríveis.  Não vou mencionar as marcas, mas já comprei requeijões que caem da faca, como se fossem líquidos; maioneses com gosto de ranço; refrigerantes dietéticos com gosto de remédio.  Tenho a impressão (certeza?) de que os fabricantes desses produtos nunca experimentaram o que fabricam. 

Além do sabor, é claro que também me preocupo com as informações nos rótulos (cada vez mais minúsculas e embaralhadas), com as diminuições dos pesos dos produtos (e, quase sempre, a manutenção do mesmo preço).  É isso mesmo: em geral, o consumidor só “dança”.  Quando pedimos uma pizza com dois sabores, o preço é da metade mais cara.  Por quê?  De cada dez vezes em que recebi troco errado, em nove delas recebi menos do que o devido.  Quando o preço de algum produto está muito baixo, quase sempre já está próximo o término de sua validade.  Por quê?

Há, ainda, pontos que apenas consumidores (muito) chatos como eu alcançam.  O frango, por exemplo: todos dizem que é uma carne barata.  Será que, descontados os ossos e acessórios, ele ainda seria considerado um alimento de preço baixo?  Duvido muito disso.

Precisamos ter muito cuidado, também, com ofertas de carne bovina.  Nessas ofertas, precisamos pagar pela peça sem estar limpa, ou seja: pagamos por sebo, pelanca, toda a gordura e outros apêndices.  Além disso, muitas vezes se trata de gado fêmea, que custa de dez a vinte e cinco por cento menos do que o macho.

Tenha certeza de uma coisa: dificilmente (ou quase nunca) o consumidor sai ganhando.

E as avelãs continuam desaparecidas…

P.S.: Se os fabricantes dos produtos acima elogiados quiserem pagar pela propaganda feita, eu não vou ficar chateado, não (pode ser em espécie, é claro!).




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em maio de 2010.

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Baú do Odair

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