UMA CAMPANHA E UM ESCLARECIMENTO À NAÇÃO

    Já usei muitas vezes este espaço para fazer campanhas de utilidade pública. Faço outra, agora.
    Qualquer bebedor de cerveja sabe que, com o passar dos anos, a tolerância de sua mulher ao inocente passatempo etílico vai diminuindo. Imagino que isso também ocorra às mulheres apreciadoras do nobre líquido citado, em relação a seus maridos.
    Quando essa intolerância fundamentalista atinge níveis absurdamente altos, o apreciador de cerveja se vê, a cada vez que vai abrir uma latinha, intimidado, constrangido, sob risco.
    Para evitar eventuais hecatombes conjugais, o bebedor passa, então, a inventar estratagemas, técnicas, saídas, subterfúgios. O momento mais crítico ocorre quando da abertura da lata. De fato, sua abertura faz um barulho daqueles.
    São várias as soluções improvisadas para amenizar o escandaloso pshhh-tlac-gluh. Eu mesmo já tentei algumas: abafar o ruído com um almofadão; abrir a latinha dentro de um porta-malas com o almofadão; espirrar feito um glutão, enquanto abre a lata; ir até a esquina para abrir o receptáculo mencionado; fazer isso no telhado (com o almofadão, é claro). Essas técnicas, por mais sofisticadas que possam parecer, nunca funcionam totalmente.
    Aqui vai, portanto, a campanha. Já que o homem chegou à Lua, enviou naves além do Sistema Solar, até mesmo aprendeu que não se deve colocar mussarela em todos os tipos de pizza, por que não se inventa uma latinha que seja silenciosa quando de sua abertura?
    Feita a campanha de utilidade pública, passo a fazer uma campanha pessoal em prol de minha tranquilidade.
    Além de escrever no Imprensa Livre, eu também escrevo na “Revistinha Ria”, que circula quinzenalmente em São Sebastião. Desde a sua penúltima edição, venho recebendo emails, cartas, telefonemas e abordagens em todos os lugares, com felicitações pela minha foto que saiu na capa da fatídica penúltima edição daquele periódico. Não aguento mais ficar explicando que aquela foto não é minha. Não aguento mais ouvir as pessoas insistirem. Não aguento mais explicar que a pessoa daquela foto até que se parece comigo, mas que não se trata de mim. Estou cansado… Por isso, além de solicitar providências à “Revistinha Ria”, para desfazer esse mal-entendido, aproveito esta minha coluna para repetir que eu não saí na capa da penúltima edição mencionada.
    Aproveito, ainda, para esclarecer que a foto – que causou tanta confusão – é de um tal de Cauã Reymond.
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P.S.: O que escrevi sobre a cerveja é uma brincadeira que pode ser lida por qualquer um. Já a cerveja não é para todos. Muitos padecem de uma doença gravíssima, o alcoolismo, que destrói a vida do bebedor, de seus familiares e de seus amigos: isso não é brincadeira, não…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em novembro de 2012.

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Baú do Odair

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