VOCÊ ESTÁ ENTENDENDO? VOU EXPLICAR DE NOVO…

Já escrevi neste espaço sobre muitas coisas que me irritam: motoqueiros buzinando
freneticamente na porta da minha casa (parece que nunca ouviram falar de campainha ou de
palmas); bilheteiros insistindo para eu comprar o bilhete do porco (ou do peru, da borboleta,
do pavão…); pizzarias que colocam mussarela em tudo; pessoas que falam tudo no diminutivo;
caixas de supermercado perguntando, depois da passagem do último produto, se podem
encerrar a compra…são tantas as coisas que me irritam… Vou falar de mais uma.
Algo que mexe com meu fígado, com meus rins, com a última gota da minha tolerância
é a repetição. Há pessoas que repetem um milhão de vezes a mesma história. Além disso,
começam na pré-história. Para contarem um caso ocorrido, por exemplo, num barco, contam,
primeiramente, como foi seu primeiro contato com o mar, na infância; como eram os barcos
quarenta anos atrás; quais eram os nomes dos navios da Marinha; o motivo de poita se
chamar poita…
Poita!!! Será que essas pessoas não percebem que eu não estou nem um pouco
interessado em saber a razão da poita se chamar poita?
Mas tudo isso até dá para engolir. O que engasga, mesmo, é que, na segunda, eles
repetem a mesma história do sábado. Na quinta seguinte, idem. No início, por camaradagem,
eu até finjo interesse, espanto diante do clímax, risada diante daquele escorregão cujo
diagrama já decorei. No decorrer das repetições, porém, começo a olhar para o horizonte,
para ver se eles se tocam. Em vez disso, eles que me tocam, cutucam, cobrando minha
atenção para aquela narrativa que já ouvi mil vezes. Quando a repetição ocorre com piadas, a
irritação se transforma em desespero…
E o que dizer daquelas pessoas que não apenas repetem a mesma história todos os
dias, mas repetem palavras e frases cada vez que abrem a boca?
Você pergunta se eles sabem quem abriu tal negócio. A resposta: foi o Betão…o
Betão..o Betão que abriu…foi o Betão, sim…o Betão…
Isso irrita. Irrita, sim. Isso irrita, mesmo. Irrita muito. Irrita!




Publicado no “Imprensa Livre”, em maio de 2013.

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Baú do Odair

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