AMOR

Não é fogo, nem arde, nem é visto ou não visto.
Só É
Talvez, um perfume que se ouve de longe, um tato brilhante, um sabor com ecos.

Não é ferida, nem dói, nem mesmo se sente.
Só É
Talvez, um esquecimento do que, por eras, se chamou de contentamento…ou descontentamento, tendo por cume um vácuo inflado de ventos, num moto-perpétuo de geração (percebimento?) de agoras.

Não se quer, nem se busca, nem se alcança, nem se tem, nem se perde.
Só É
Talvez, um verbo ainda não criado, que busca por vizinha uma pontuação ainda não criada.

Não sabe o que é vitória, nem derrota, nem lealdade, nem deslealdade.
Só É
Talvez, um acordar para um sonho em cartaz desde nunca, com estréia sempre agora.

Não se considera diferente da amizade, nem da paixão.
Só É
Talvez, um constatar que não se é um Camões, e dar de ombros gentilmente, descobrindo, numa fusão singular do agora, que quatro ombros são, na verdade, um par de asas.

Não é voar alto e avistar universos.
Só É

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