OLHANDO NOS MEUS OLHOS SEM ESPELHOS

O ensinamento de que só a Verdade liberta não é privilégio do cristianismo. Muitas tradições religiosas adotam esse princípio; muitas vezes com outras roupagens, mas sempre com igual conteúdo.

Mas o que é a Verdade? E não me refiro à pergunta de Pôncio Pilatos a Jesus. Eu falo de algo muito mais amplo…

Eu já tinha lido muito sobre a Verdade, sobre busca espiritual, sobre a necessidade de viver o agora. Minha grande aula prática, porém, aconteceu na quarta-feira de cinzas de 2008. Eu dirigia meu automóvel a cem quilômetros por hora, quando recebi a notícia da morte da minha Mãe. No carro, viajavam minha mulher e meus três filhos.

Gritei com todas as minhas forças:

  • Nããããããããããããããããããão!!!

Acalmei minha faília e continuei a dirigir por alguns quilômetros. Parei o carro numa saída de chão batido. No momento em que fiquei de pé, percebi que eu estava em uma bifurcação, na mais real, trágia e concreta bifurcação da minha vida: ou mergulhava no meu sofrimento, ou colocava minhas idéis em ordem (na ordem possível numa situação dessas, é claro), consolando minha mulher, meus filhos e, em especial, minha irmã, a qual estava sozinha na sala de espera da UTI, além de planejar como iria dar a notícia para meu Pai, com quase oitenta anos, então.

Escolhi – conscientemente – a segunda alternativa. Essa escolha foi muito dura, mas passou por dois reconhecimentos:

1 – nunca mais veria minha Mãe neste planeta;

2 – pessoas precisavam de mim.

Isso é “A Verdade”: o reconhecimento, sem censura, sem rodeios, sem floreios, do que é. A morte da minha Mãe era. A minha responsabilidade perante os meus também era.

Esse é o caminho – único caminho – para a verdadeira Liberdade. O reconhecimento do que é.

Se sou um alcoólatra, o primeiro passo a ser dado rumo à recuperação é o reconhecimento disso, sem culpa, sem medo.

Se sinto inveja de Fulano, devo reconhecer essa inveja, senti-la como se fosse um ser vivo. A seguir, poderei ou cultivar esse sentimento mais ainda, ou buscarei maneiras de matá-lo. Mas saberei, então, plenamente contra o que estarei lutando.

Se estou inventando fugas da Realidade, preciso reconhecer que estou tentando fugir da realidade. A fuga pode ser uma mudança geográfica, uma droga, uma amante idealizada, mas sempre será uma fuga. Só depois desse reconhecimento poderei agir para voltar para o chão.

Tudo começa na Verdade.

E pode (deve) começar agora.

Mas quase ninguém gosta do seu sabor…

P.S.: Reconhecer “A Verdade” não implica em nos acharmos bons, certos, santos. Quem faz isso nada mais é do que um hipócrita. Seres humanos sentem raiva, inveja, ódio; isso é normal. Quando esses sentimentos são reconhecidos em sua plenitude, eles chegam a ganhar um perfume de Luz. É como, por exemplo, meu ódio contra o Banco do Brasil, antiga Nossa Caixa: ele é verdadeiro, pleno, transbordante. Ele é tão verdadeiro, vem tão do fundo de mim, que chega a ser bonito. Um dia ele poderá morrer (assim espero), mas por hoje ele ainda está muito vivo…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em março de 2011.

Vai cruz aí, moço?

É muito difícil mudar hábitos. Já abandonar vícios é quase impossível.

Perto, porém, da consciência de por que mudar, de por que abandonar, a mudança e o abandono são ridiculamente fáceis…

Essa consciência, geralmente, só chega com muito sofrimento. Não é à toa que Jesus vai para a cruz, Paulo fica cego na queda do cavalo, Francisco também fica cego em razão de um tratamento rústico do tracoma, Buda se transforma em mendigo, Krishnamurti abre mão de ser o líder de um movimento religioso. Seja físico, seja moral, o sofrimento sempre está presente na senda daqueles que buscam a Luz. Por que será que é assim?

Se você ganhasse sozinho na mega-sena, hoje, será que iria se preocupar com busca espiritual? Uma mulher extremamente linda, maravilhosamente sedutora, que traz sob a coleira de seu charme os homens que quiser, essa mulher se preocupará com o sentido da vida? Se eu conseguisse me transformar no Imperador do Brasil, com as forças armadas do meu lado, com o povo gritando meu nome em homenagem febril, será que eu iria procurar o caminho que leva ao Divino?

A resposta é rápida e certeira: não. Quando estamos com muito dinheiro, muita saúde, quando temos um enorme poder, quando o prazer nos rodeia e envolve, quando nos sentimos fortes, monumentalmente fortes, não procuramos nenhum deus. Afinal de contas, para que procurar deus, se, nessas ocasiões, nós nos sentimos verdadeiramente Deus?

A mudança de hábitos, como a que é necessária para o emagrecimento, bem como o abandono de vícios, como o parar de fumar, podem trazer muita saúde. Podem, até mesmo, representar a diferença entre viver e morrer. Se, porém, quem muda não sabe por que muda, nada fez. Repito: quem simplesmente para de beber; quem simplesmente emagrece; quem simplesmente para de fumar; quem muda seus hábitos, quem abandona vícios, mas não tem a consciência do que o motivou a isso, só para de beber, de comer demais, de fumar. Fora isso, continua a ser aquele mesmo eguinho metido a besta que sempre foi, achando-se muita coisa, ou fingindo que não se acha tanto assim.

Quem sabe por que mudar, quem sabe que esta realidade não é tudo o que existe, quem sabe que existe um Eu verdadeiro, o qual não tem nada a ver com nosso eguinho metido a egão, esse alguém está começando a caminhar. Esse alguém vai não apenas saber, mas realmente sentir que o seu verdadeiro Eu não precisa ficar bêbado, não precisa fumar, não precisa comer feito um glutão.

Essa é toda a diferença: sentir o verdadeiro Eu.

Mas sem sofrimento, nós não conseguimos…

Só existe uma alternativa ao caminho do sofrimento: trata-se do caminho da Compaixão. Não falo de uma compaixãozinha, mas de um florescer de Amor que transborda gratuitamente em todas as direções, sem distinções, sem condições. É…parece que o sofrimento ainda é mais fácil…

Se as mudanças podem representar a diferença entre viver e morrer, a consciência do verdadeiro Eu é o que separa as vidinhas da imortalidade.

O mundo é povoado por vidinhas. Muito raramente, um cometa de consciência cruza o planeta.

Como eu queria não ser só uma vidinha…

P.S.: Como ainda sou só uma vidinha, quero convidar você para ler (se for publicado, é claro) um artigo extra que vou enviar para o Imprensa Livre nos próximos dias. Nele tratarei do absurdo que o Banco do Brasil de São Sebastião (antiga Nossa Caixa) fez comigo. Até lá! (É…só sofrendo, mesmo…)




Publicado originalmente no “imprensa Livre”, em março de 2011.

PRECISÃO

Eu estou um pouco frágil. Não sei se é porque minha mãe morreu na quarta-feira de cinzas de 2008…

Neste Carnaval, minha mulher, minha filha mais velha e meu filho foram para o sítio de minha cunhada. Eu e minha filha mais nova ficamos em São Sebastião.

Aliás, minha filha mais nova traiu o nosso bairro – o Pontal da Cruz: desfilou na Escola de Samba do Bairro (quem é daqui, quando se refere ao Bairro São Francisco, diz apenas “o Bairro”).

Agora são dez da noite da segunda de Carnaval. Estou sozinho. Minha filha saiu. Sua escola foi a campeã. Confesso que, mesmo não sendo fã de Carnaval, gostei da notícia. Que o Pontal me desculpe, mas é minha filha!

Fiz e comi duas pizzas fritas. Sozinho. São poucas calorias.

Minha mulher ligou. Perguntei sobre alguns cheques que vão cair nos próximos dias. Reclamei do Banco do Brasil. Hoje, em pleno feriado, fiquei sabendo que não tenho mais limite de cheque especial. Tirarem o limite, tudo bem; mas sem nenhum aviso? E se eu estivesse viajando e contasse com o limite? Passa pela minha cabeça uma suspeita: será que isso foi represália por eu ter escrito sobre o Rogester? Não, não posso acreditar nisso. De qualquer maneira, só por precaução, se esse foi o motivo, deixo minha pirraça no P.S. Que saudade da Nossa Caixa, do Rogester…

Eu estou um pouco frágil. Talvez seja porque minha filha mais velha vai casar daqui a alguns meses…

Daqui a pouco (quem sabe?) eu vou ligar para o meu Pai. Eu já convidei várias vezes esse homem de quase oitenta e dois anos, genuíno espanhol da Galícia, para morar em minha casa (a qual, aliás, foi ele quem me deu). Mas meu Pai, que não vem para cá desde o penúltimo natal, diz que São Sebastião fica muito longe. Então eu digo que longe fica São Paulo. Em segundos, estamos em plena discussão. Discutimos sobre isto, sobre aquilo, sobre tudo. Mas logo depois pedimos desculpas mutuamente. Acho que isso é Amor.

Tentei falar com minha irmã pelo “Skype”; onde será que ela está? É…quando minha Mãe morreu, prometi que, pelo menos uma vez por mês, iria a São Paulo visitar meu Pai e minha irmã. A última vez que fui lá…setembro?

Eu estou um pouco frágil. Talvez seja porque o meu filho está de mudança para a Capital, aquela cidade que foi fundada tão longe de São Sebastião…

O Padilha me telefonou horas atrás. Foi muito bom ouvir a voz de uma pessoa amiga. Eu acho que já escrevi sobre isto, mas antigamente eu atendia as pessoas que me perguntavam, em meus horários de folga, sobre assuntos do meu serviço, mas confesso que, embora eu as atendesse com educação, no íntimo eu não gostava daquilo. Há alguns anos, porém, quando escolhia tomates, no Supermercado Garça, e uma pessoa me perguntou sobre um assunto do meu serviço, tudo mudou. Pensei que (se eu não morresse antes) em dez, vinte, trinta anos, ninguém iria sequer olhar para mim. Logo, era um privilégio as pessoas me perguntarem coisas do meu serviço. Elas me davam a chance de poder ser útil. E isso era (e é) muito bom.

Eu estou um pouco frágil. Talvez seja porque não consigo trazer minha Mãe de volta, nem manter meus filhos comigo, nem trazer meu Pai para cá, nem ter contato mais frequente com minha irmã, muito menos parar de reclamar dos meus problemas com a minha mulher (e são tantos…tantos…). Dá vontade de gritar: eu quero a minha Vida de volta!!!

Mas eu comecei a escrever este artigo para fazer uma pergunta para a minha mulher. Sim, mesmo estando um pouco frágil, eu pergunto com força: quem lhe deu licença para ficar longe de mim?

É preciso amar…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em março de 2011.

HISTÓRIA NATURAL

Nascemos. Começamos a perceber que existe algo ao nosso redor. A cada momento, aumenta a percepção de que existe um cenário, de que existem atores. Sentimos que todo o cenário foi feito para nós, todas as pessoas existem para nós.

Crescemos. Começamos a perceber que o algo que existe ao nosso redor parece ser muito maior do que pensávamos que era. A cada momento, aumenta a percepção de que a quantidade de cenários é infinita, de que são tantos atores… Sentimos que o cenário existe por alguma razão que não sabemos explicar. Quanto às pessoas, parece que elas vivem para si mesmas: nós somos apenas uma parte das suas preocupações. Descobrimos que não somos tudo para nossos pais: somos apenas filhos deles. Descobrimos que existem outras pessoas que também são importantes para eles. Essas descobertas nos agridem profundamente: ocorre o primeiro desmoronamento do nosso mundo. “Primeiro”, porque não nos lembramos – pelo menos conscientemente – da nossa saída da placenta; e primeiro de muitos…

Crescemos mais. A vida vai nos obrigando a percebermos cada vez menos, a pensarmos cada vez mais. Dessa forma, vamos perdendo progressivamente a intuição com que nascemos. Antes, sentíamos tudo no corpo; agora, raciocinamos, analisamos, concluímos. Dizem para nós, então, que os cenários e os atores foram criados por um ser onipotente chamado Deus. Ou que esse Deus está em tudo e em todos. Ou que tudo veio do nada e para o nada caminha, sem nenhum maestro. Escolhemos cenários e pessoas de que mais gostamos. Passamos a julgar tudo e todos. Julgamos a nós mesmos cada vez menos; condenamos os outros cada vez mais. Conhecemos o trabalho, que consiste em freqüentarmos alguns cenários, nos quais nos relacionamos com algumas pessoas, recebendo, depois de um mês, algum dinheiro para podermos nos manter como pessoas vivas em alguns cenários.

Alguns de nós nos reproduzimos. Como gota d’água rumo à cachoeira, entramos nas paixões, às vezes chamando uma delas de Amor. Num desses encontros com pessoas, em certos cenários, nós nos reproduzimos. Para nós, nossos filhos são tudo, mas também temos pais, cônjuge, amigos, inimigos.

Envelhecemos. Nossos filhos crescem, crescem mais, reproduzem-se. Tentamos fazer com nossos netos as coisas que gostaríamos de ter feito com nossos filhos. Paramos de trabalhar. Ainda julgamos muito, condenando os outros. Começamos, porém, a nos condenar também, seja por não termos feito tal coisa que deveríamos ter feito; seja por termos feito aquela outra que deveríamos ter evitado.

Envelhecemos mais. Surgem duas bifurcações básicas:

1 – Para fugirmos da dor da auto-condenação, abandonamos a realidade: passamos a querer ser crianças ou jovens. No primeiro caso, como crianças birrentas, nós nos transformamos num poço transbordante de ressentimento, sendo rabujentos, irritantes, extremamente egoístas. No segundo caso, também para fugirmos da realidade, passamos a viver como se jovens fôssemos, mas essa juventude não pode passar de uma fina casca, verdadeiramente caricatural, oca.

2 – Podemos, também, aceitar o envelhecimento, os erros, os acertos, o tempo, as pessoas, os cenários. Quando optamos por tal caminho, voltamos a perceber cada vez mais, passando a raciocinar cada vez menos. Percebemos, então, que não tem importância nenhuma saber se existe ou não um criador, se houve ganho ou perda, se vencemos ou perdemos.

Quando entramos pelo caminho número 1, constatamos, mais cedo ou mais tarde, que sempre estivemos mortos.

Quando escolhemos o caminho número 2, a todo instante nascemos, crescemos e envelhecemos de novo. Sabemos que todos os cenários e todas as pessoas existem para nós. Sentimos o pulsar de toda a Vida no bater do nosso coração. Nossa sensação de Vida não diminui nem mesmo diante da morte próxima.

A ordem dos parágrafos acima não altera o produto de nosso caminhar.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em março de 2011.

Brasileiro é tão bonzinho…

No dia 31 de janeiro último, saiu no Imprensa Livre um texto de minha autoria, intitulado “E não é que agiotagem ainda é crime?”, no qual eu criticava os absurdos juros bancários que são atualmente cobrados das pessoas que acabam precisando tomar dinheiro dos bancos, seja no cheque especial, seja no crédito pessoal, seja no crédito rotativo dos cartões. No artigo eu ainda mencionava a quantidade exagerada de taxas cobradas de todos nós, pelas instituições bancárias, bem como a miserável remuneração da caderneta de poupança, mais miserável, ainda, se comparada aos estratosféricos juros cobrados.

Além de relatar esse quadro cruel, que geraria, em qualquer país com uma população com sangue nas veias, protestos efetivos, anunciei que, na tentativa de fazer algo contra esse descalabro, estava criando o site Boicote.org (http://www.boicote.org), com o fim de que ele fosse uma espécie de tribuna livre para protestos contra espoliações como a praticada pelos bancos, além do que (e o mais importante de tudo) seria um espaço para traçarmos estratégias de ação contra esses abusos, lançando mão de uma medida simples, pacífica, mas muito eficaz: o boicote.

O boicote funciona, isso é inegável. Tanto na marcha do sal, liderada por Gandhi, como nos movimentos diários de donas de casa de pequenas cidades norte-americanas, com protestos contra a mercearia do bairro, o boicote é uma ação que produz resultados em pouco tempo, e resultados consistentes.

Mas boicote não se faz sozinho… Por isso mesmo é que criei o site mencionado. Depois de quase duas semanas no ar, porém, constato que ele teve muitas visitas (pelo sistema é possível verificar isso), mas mereceu apenas um comentário, ou seja: só uma pessoa disse “estou aqui!”

Agradeço muito a essa pessoa por sua participação. Quanto aos que não responderam ao meu chamado, não posso deixar de desabafar: será que são todos banqueiros? Será que estão todos felizes com os juros cobrados? Se não são banqueiros e se não concordam com a gula bancária, por que não aceitaram o meu convite? Não é preciso nem deixar comentário: basta manifestar o desejo de receber o boletim com novidades do site (que consistirão, por exemplo, em propostas de boicotes).

Não desisto, porém. Volto a convidar todos para visitarem o Boicote.org, para assinarem – gratuitamente, é claro – o boletim de novidades do site. Lá poderá ser lido o artigo acima mencionado. Lá também é possível ouvir a sua leitura e meu comentário sobre ele e sobre o site.

Ou isso, ou daremos razão a uma atriz que, num quadro humorístico, repetia que “brasileiro é tão bonzinho…” Mas quando transplantamos esse humorístico para a vida real, a risada é dada pelos maus empresários. E eles estão rindo de nós, pela passividade e pela desorganização que demonstramos o tempo todo.

Vamos fazer algo?

– x – x – x – x –

P.S.: Por falar em bancos, preciso fazer uma homenagem e um questionamento. A homenagem é ao meu amigo Rogester, que foi, por muitos anos, gerente da agência da Nossa Caixa de São Sebastião. Profissional muito atencioso, extremamente eficiente, merece minha amizade, minha gratidão, meu aplauso. Com a mudança da Nossa Caixa para Banco do Brasil, passei a ver o Rogester prestando atendimento na área externa, orientando os usuários dos caixas eletrônicos. Essa função, que eu saiba, sempre foi executada por estagiários. Sem nenhum demérito aos estagiários, creio que aquela função não é a mais indicada para um profissional com anos e anos à frente da gerência. Seria como colocar o ex-diretor clínico de um hospital na recepção, a fim de agendar consultas (aqui, também, sem desmerecer os profissionais escalados para tal função). Já li que o McDonald’s tem por norma, uma vez por ano, colocar seus diretores para fritarem batata, lavarem banheiros ou em outro serviço nas suas lojas, a fim de se familiarizarem, efetivamente, com todas as atividades da empresa. Considero essa ideia brilhante. Se for isso o que estão fazendo com o Rogester, deixo aqui meu elogio. Mas se não for isso, confesso que não entendi. De qualquer forma, vi que, mesmo na sua atual função, o Rogester está dando o seu máximo. Meus parabéns, Rogester!




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em fevereiro de 2011.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE




E chegaram ao Mar Vermelho. A multidão se apavorou: e agora ?
Moisés, porém, sempre mantendo a calma, levantou seu braço e mandou o Mar se abrir…
-Um momento, Moisés ! Você tem idéia do impacto ambiental que a abertura do Mar poderá causar ? Onde está o EIA/RIMA ?
Alguns meses e toneladas de papéis, de ONGs e de discursos depois, a multidão resolve dar a volta (e que volta!) para chegar à Terra Prometida.
E chega o dia em que a fome passa a roncar no estômago de todos.
Moisés avisa que do céu virá o maná, que…
-Um momento, Moisés ! Esse tal de maná tem carimbo do SIF ? Não é transgênico, é ?
Enquanto eram aguardados os laudos técnicos faltantes, o povo começou a irrigar o deserto, começou a plantar no deserto, começou a colher no deserto. Deixaram o maná para lá…
De volta ao caminho, as provisões acabaram chegando ao fim. O povo voltou a reclamar da fome.
Moisés, então, já escaldado com o rolo que o maná havia causado, avisou que codornizes viriam do céu para satisfazer a fome de todos. E foi o que aconteceu, e…
-Moisés, as codornizes são animais que, com certeza, devem ser protegidos pela lei ambiental. Quem tocar numa delas poderá ser processado, condenado, quem sabe até mesmo à morte!!!
O povo continuava com fome, mas agora ainda precisava conviver com milhares de codornizes voando livremente entre eles: era caca de codorniz para todo lado…
Correu, então, uma fofoca, que acabou ganhando as manchetes de todos os jornais. Diziam que Moisés havia abandonado mulher e filhos, antes de liderar a fuga do Egito.
Surgiram campanhas de moralidade em defesa da família, ONGs fundadas para defender o casamento, ameaças de processo.
Mas Moisés deu uma entrevista, na qual acabou conquistando a simpatia de todos…e tudo foi esquecido. Surgiram, aliás, novas fofocas nada honrosas sobre a ex-mulher que Moisés teria.
Moisés avisou que estavam perto da Terra Prometida.
-Essa Terra Prometida é um loteamento aprovado, Moisés ?



O calor era insuportável, o Sol estava exatamente na perpendicular sobre aquele homem que caminhava de volta para o Egito. Mas, mesmo sob aquele calor, mesmo estando sozinho na imensidão de areia e luz, mesmo estando no caminho de volta à escravidão, aquele homem estava feliz.
Era Moisés !

P.S.1 : O texto acima já tem mais de uma década e já saiu no Imprensa Livre. Como continua – lamentavelmente – atual, aqui está ele de novo, a pedidos.
P.S. 2: Nunca se esqueça de que povo é povo: nasce povo, cresce povo, morre povo.
P.S.3: Pior do que povo, só povinho politicamente correto, metido a se fazer de bonzinho, de vítima, que acha que os errados são sempre os outros. Para esse tipo de gente, não existe solução, nem Jesus salva: só nascendo de novo.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em fevereiro de 2011.

E não é que agiotagem ainda é crime?

O genial dramaturgo alemão Bertold Brecht se questionava se roubar um banco era pior do que fundar um banco. É claro que a primeira figura é crime gravíssimo, merecendo a reprimenda da lei. Mas a conduta dos bancos, principalmente no Brasil das últimas décadas, vem fazendo com que pensemos que Brecht talvez não estivesse muito errado…

De fato, é diabólica a atuação dos bancos, com suas táticas, suas artimanhas, as letras pequenas de seus contratos, as taxas enigmáticas que aparecem nos extratos.

Dizem que o Diabo só entra na vida de alguém, quando este alguém o convida a entrar. Os donos e defensores dos bancos usam esse mesmo argumento (que coincidência!): nenhum banco obriga seus clientes a tomarem dinheiro emprestado. Esse argumento, porém, não tem a mínima lógica. As situações da vida já são feitas de tal maneira, que quase todos – pelos menos os assalariados – acabam caindo nas garras de alguma instituição bancária. Mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, pessoalmente ou por meio de algum parente, quase todas as pessoas que dependem de salário vão acabar como reféns de cheque especial, crédito pessoal ou cartões de crédito. O argumento dos bancos é como dizer ao diabético que ninguém mandou usar a insulina “x”. Realmente, acabaremos caindo nas redes dos bancos, seja o “x”, o “y” ou o “z.”

Os bancos sempre foram – e são – entes famintos, em todo tempo, em todo lugar. Agora, porém, especialmente no Brasil, eles estão com uma fome de náufrago que acabou de ser resgatado de longa temporada no mar. Isso é muito fácil de ser provado. Na época em que a inflação era grande, os juros eram um pouco maiores do que ela; o importante, porém, é que a caderneta de poupança rendia a inflação mais 0,5% ao mês. Por exemplo: se a inflação era de 20% ao mês, os juros eram de 22%, enquanto a caderneta rendia 22,05%. E hoje? A inflação em 2010 foi de 5,91% ao ano (pelo índice denominado IPCA), enquanto a poupança rendeu 6,90% ao ano. Já os juros do cheque especial giraram em torno de 7% a 13% – mas ao mês!!!. Os juros do crédito pessoal são um pouco menores. Já os juros do crédito rotativo dos cartões de crédito atingem a estratosfera, principalmente quando são cartões vinculados a estabelecimentos comerciais: há casos de juros de até 540% ao ano!!! Os mais “baratos” ficam em torno de 12% ao mês.

Veja bem: de um lado, a caderneta de poupança remunerou, para cada cem reais, seis reais e noventa centavos em 2010. Mas se você rolou essa mesma quantia no cartão de crédito, pode estar devendo, hoje, até quinhentos e quarenta reais! Muito lógico, justo e honesto, devem pensar os banqueiros…

E vale lembrar que, quando teve início o Plano Real, os bancos, alegando que tiveram perdas, passaram a cobrar taxa para tudo (ainda vão criar taxa para podermos falar “bom dia” para os seguranças, pode esperar). Mesmo com o universo de taxas que foram criadas, os juros aumentaram, aumentaram, aumentaram.

Na Europa, na América espanhola, no Japão, em quase todos os cantos do mundo, o povo se revolta com os absurdos. Aqui no Brasil, consideramos normal a situação apontada acima.

As instituições financeiras ainda têm a cara de pau de colocar a culpa na taxa SELIC e no índice de inadimplência. Balela! A taxa SELIC está em 11,16% ao ano. Por sua vez, as próprias instituições vivem enviando cartas para seus clientes – mesmo para os que já estão bastante endividados, muitos dos quais aposentados – oferecendo novas linhas de crédito. Em resumo: a única causa para os juros cobrados é a descarada gula das instituições. Essa gula, porém, não poderia sobreviver, caso o governo deixasse de ser hipócrita, caso a população deixasse de ser bovina.

Se o governo proibisse essas gritantes disparidades, as coisas seriam diferentes. Mas em vez disso, o governo faz maldades semelhantes no seu banco, o Banco do Brasil.

E se nós protestássemos – pacífica mas incisivamente, boicotando os bancos o máximo possível, estes iriam acabar diminuindo a sua ganância.

Até que o governo e cada um de nós mude, porém, vamos pagar…pagar muito caro.

P.S.: Estou inaugurando um site para troca de experiências, sugestões de ações e comentários em geral sobre o boicote, talvez a única arma pacífica disponível para que os consumidores possam cobrar o respeito que merecem. Fica aqui o convite para uma visita: http://www.boicote.org




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em janeiro de 2011.

PASSOS PARA VERDADEIRAMENTE SER ou CURSO INSTANTÂNEO PARA SAIR DA MATRIX

Questione cada uma das “verdades” que seus antepassados lhe transmitiram. Faça esse questionamento com firmeza, serenidade, desprendimento. Então jogue fora as “verdades” que constatar que não passam de palavras que seus antepassados disseram que eram “verdades”.

Examine o livro que você aprendeu a considerar como sendo sagrado. Questione sua autenticidade, sua coerência. Busque suas ligações com outros livros. Então jogue fora cada página que não passar de uma página de um livro que disseram para você que era sagrado.

Volte-se para o fundador da religião que você professa. Questione se ele foi, de fato, original. Busque saber como era o mundo antes dele. Então jogue fora esse líder. Das duas, uma: ou ele era um falso profeta (devendo, portanto, ser jogado fora), ou ele era (e talvez ainda seja) um verdadeiro Ser de Luz (e um Ser de Luz iria querer que você se livrasse de qualquer apego, até do apego por Ele). Portanto, jogue-o fora.

Olhe para o seu deus. Tente vislumbrar seu contorno, ouvir sua respiração, sentir seu toque. Então jogue fora esse seu deus. Se você não conseguir vislumbrar seu contorno, ouvir sua respiração ou sentir seu toque, é sinal de que ele é um falso deus, mera imaginação: só pode merecer ser jogado fora. Mas se você viu sua silhueta em cada um de todos nós, se ouviu sua respiração no permanente fluir da vida que nos envolve, se sentiu sua carícia ao ter seu rosto tocado pelo vento, então Deus, você, o vento, as plantas, os animais somos todos Um. Se somos Um em todos e em cada Um, que valor pode ter aquele deus que foi ensinado a você, separado de tudo, de todos? O melhor a fazer é jogar fora esse seu deus.

Procure todos os eventuais senhores que fazem de você um escravo. Eles podem assumir várias formas: vaidade, fama, dinheiro, poder, gula, reputação, drogas, conhecimento, ciência, tecnologia e muitas outras. Investigue se essas escravidões podem trazer verdadeira, intensa, suave e permanente Paz ao seu coração. Em caso negativo, jogue fora as correntes dessas escravidões.

Lembre-se, então, do seu passado. Das duas uma: ou é areia que voou com o vento, ou é areia que se fez rocha. Em nenhum desses casos você poderá mudar o passado. Portanto, jogue-o fora.

Imagine, então, o seu futuro. Constate que ele não passa de nuvens feitas de nada. Umas têm formato de felicidade; outras, de medo. Mas todas elas são feitas de nada. Jogue esse futuro fora, então.

Embora ele estivesse presente em todos os passos anteriores, este passo é dedicado especialmente a ele: encare o apego. Encare o apego às coisas que dizem que são boas, às coisas que dizem que são más. Encare o apego às pessoas, às coisas, à sua identidade, àquilo que faz você ser considerado uma pessoa diferente das demais. Jogue fora, então, todos os seus apegos. Jogue fora até o apego ao desapego.

Agora, sentado, deitado, de pé, caminhando, nadando, onde estiver, simplesmente Seja. Sem se importar com o onde, o quando, o quem, o como, o porquê, simplesmente Seja.

Então você sentirá que tudo é Verdade, que o horizonte é o Livro da sua vida, que seu próximo é o Messias, que você é Deus. Então, nessa silenciosa explosão de consciência, seus apegos derreterão, o passado e o futuro escoarão pela cada vez mais profunda fenda do agora. Você não será escravo, mas também não haverá mais senhores.

Talvez você sorria, talvez dance, talvez peça uma pizza, talvez compre uma Ferrari.

Mas quem estará sorrindo, dançando, pedindo ou comprando será um verdadeiro Ser.

Mas quase ninguém consegue…que pena…




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em janeiro de 2011.

Promessas de Ano Novo

Quando eu fumava feito chaminé, bebia e tinha quarenta quilos a mais do que tenho hoje, costumava fazer as famosas “promessas de ano novo”. Era tudo meticulosamente planejado: à meia-noite do dia trinta e um eu fumaria meu último cigarro, tomaria meu último gole, faria meu último absurdo gastronômico.

Algumas vezes isso até que dava certo por alguns dias. Quase sempre, porém, já no dia primeiro eu estava fumando, bebendo e engolindo desesperadamente o que fosse possível.

Essas insanidades persistiram por anos: tanto o fumar, o beber e o comer em excesso, como o tentar parar de fumar, de beber e de comer em excesso. Iria mais longe: o querer parar com tais vícios era mais louco do que os vícios em si. E assim passei por muitos dias trinta e um de dezembro…

Quase dois anos atrás, em um dia que não era trinta e um, nem primeiro, depois de parar de tentar largar alguns de meus vícios, eles simplesmente foram embora.

Por isso, se você fez promessas parecidas e as está cumprindo, parabéns…mas cuidado! Nunca se esqueça de que você está lutando contra algo que – ao menos para você – sempre demonstrou ser muito forte. Tome cuidado, também, para não mudar de uma doença para outra. Fumar é bem melhor do que a intolerância prepotente (existe outra?) para com os outros que ainda fumam. Tomar um porre é muito mais saudável do que o fanatismo religioso. Empanturrar-se de cupim e sorvete faz menos mal do que uma língua movida pelo ressentimento.

Se, porém, você já descumpriu as promessas que fez, não se entristeça! Isso pode ter sido um enorme presente que você ganhou da Vida. Tenha a consciência de que você já está muitos degraus acima da quase totalidade da Humanidade. Quase todas as pessoas acreditam que suas vidas estão em ordem, que seus valores são os corretos, que agem da melhor maneira possível. Essas pessoas estão cegas e surdas para a feiura de seus egos. Ainda estão totalmente controladas pelo ego, buscando apenas conquistar e gozar o poder, a fama, o dinheiro, o prazer. Em resumo: essas pessoas estão dormindo profundamente…

Já você, quando prometeu mudar algo, foi motivado pela consciência de que esse algo está errado. Esse é o início do começo do despertar.

Abandonar ou não esse algo não é o mais importante: o fato extraordinário é que você deu o primeiro passo para escapar do sono em que está mergulhada a Humanidade. Apelando para o Cinema, você está começando a sair da “Matrix”.

Não sou nenhum mestre em como abandonar vícios, mas consegui ganhar a alforria de três deles (só para dar uma ideia do que isso significou, eu fumava de três a quatro maços de cigarros por dia; quando bebia, esse número chegava a sete ou oito maços; e essa insanidade durou vinte e nove anos). É claro que tenho outros quatrocentos e trinta e dois mil vícios para largar, mas talvez contar minha experiência possa ser útil para alguém.

Você prometeu parar de fumar e está com um cigarro aceso neste momento? Talvez a melhor coisa a fazer seja sorrir e saborear, verdadeiramente sorver a fumaça desse cigarro, além de parar de se preocupar em parar de fumar. Eu fiz assim: assumi que adorava fumar, que iria fumar até meu último dia. Só duas condições coloquei para mim: aceitar sem estresse que poderia adquirir doenças e até a morte com o cigarro, além de me comprometer a fumar cada cigarro com o máximo de consciência, presença, verdadeiramente saboreando-o, curtindo-o ao máximo. Em três dias, sem pensar em largar o tabaco, o cigarro saiu de mim.

A única coisa que precisa ser cumprida é viver este momento ao máximo.

Que tal tomar um chá, agora?

O resto é promessa…

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P.S.: Diante do império do politicamente correto que reina na atualidade, acho melhor deixar claro que este é um texto de espiritualidade, não representando nenhuma orientação médica. Não tenho formação na área da Saúde. Apenas conto minhas experiências, não as recomendando para ninguém.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em janeiro de 2010.

“QUE É A VERDADE?” (Jo, 18, 38)

Não obstante a quase totalidade dos jornalistas e grande parte das empresas do setor mereçam nosso respeito, vários órgãos da grande Imprensa, durante a campanha eleitoral para o primeiro turno, agiram – para dizer o mínimo – de uma maneira não muito ética.

Foram dados como furos de reportagem notícias de dois ou mais anos atrás, “coincidentemente” requentadas às vésperas da eleição.

Muitos boatos foram elevados à condição de notícia, enquanto fatos verdadeiramente ocorridos foram pura e simplesmente omitidos.

Tudo indica que a decisão sobre o que e como publicar passa pela análise das respectivas consequências para este ou aquele partido político.

O nome disso pode ser qualquer um, menos jornalismo…

A liberdade da Imprensa é um princípio fundamental, que deve ser sempre preservado, sem condições, sem limites que não seja a Lei. Isso é indiscutível, sem dúvida, pelo menos com relação à Imprensa que começa com letra maiúscula. O problema é que existem órgãos que – embora grandes em termos de estrutura ou de audiência – são minúsculos em comportamento ético.

Já se produziu, por exemplo, em mais de uma ocasião, muita fumaça por causa da suposta elaboração de dossiês de um candidato contra o outro. Em primeiro lugar, não é crime elaborar dossiês, não é crime divulgar dossiês (“pode”, é claro, ocorrer crime na coleta das informações, bem como a sua divulgação “pode” representar calúnia, difamação ou injúria). Em segundo lugar, o mais importante (e menos hipócrita): qual político não vasculha a vida de seu concorrente?

Já houve notícias bombásticas, publicadas durante campanhas eleitorais, cuja única testemunha já estava morta anos antes da publicação. Vale dizer: a única “prova”, então, era a memória do jornalista, para quem a tal testemunha teria contado os fatos estrondosamente noticiados… Conveniente, não?

O pior de tudo, porém, é que não é dado o mesmo destaque ao reconhecimento do erro da “informação” anteriormente divulgada, ou simplesmente o erro não é reconhecido (na semana passada, por exemplo, foi noticiada – erroneamente e sem desmentido – a morte de um candidato…). Outro exemplo: há poucas semanas, o Poder Judiciário arquivou o caso referente a um suposto dossiê, que repercutiu imensamente na campanha eleitoral de 2006. Quase nenhum órgão da grande imprensa divulgou esse arquivamento. Por quê?

Com a a revogação da Lei de Imprensa, ganhamos um vácuo legislativo sobre o tema. O Código Penal e o direito de resposta não estão sendo suficientes para conter os abjetos excessos da falta de ética de alguns órgãos da grande Imprensa. Algo precisa ser feito, urgentemente. Uma boa sugestão é a criação de algum órgão como o CONAR (Conselho de Autoregulamentação Publicitária).

Ninguém quer a volta da censura, é claro. Mas a irresponsabilidade atual, verdadeira formadora de manipulações, precisa acabar.

No dia 20/10/2005, dei uma sugestão para aumentar a Democracia na Imprensa: a destinação de uma pequena porcentagem do espaço ou do tempo dos meios de comunicação para manifestação do público. A cada hora na TV, por exemplo, três ou seis minutos seriam destinados à participação do público. Caso a emissora rejeitasse essas manifestações, um órgão (como o CONAR) sortearia quem teria direito a esse espaço. Para ouvir essa minha sugestão, visite http://www.zinda.com.br/arquivo/1 (nessa página há acesso para a edição de 20/10/2005).

O título do artigo de hoje corresponde a uma pergunta cinicamente feita por Pôncio Pilatos a Jesus Cristo. Ela não tem resposta até hoje… Essa pergunta chega a ser bela, desde que tenha sua origem na humildade da dúvida, no reconhecimento da imperfeição do ser humano, na constatação da impermanência das coisas, na consciência de que sabemos muito pouco. Quando, porém, essa pergunta nasce do cinismo, ela é abjeta…

E não podemos nos esquecer de que o cinismo já salvou a pessoa errada, colocando na cruz quem era nosso Irmão maior…

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P.S.1: Volto a destacar que um dos raros órgãos que merecem nossa atenção é a revista “Carta Capital”, semanalmente nas bancas ou em http://www.cartacapital.com.br

P.S.2: Conheço um rapaz, pouco mais de 30 anos, boa pessoa, com formação e experiência na área de vigilância, casado, com filhos, o qual está procurando trabalho. Se alguém quiser empregá-lo, favor entrar em contato pelo meu email contato@litoral.net Obrigado.




Publicado originalmente no “Imprensa Livre”, em outubro de 2010.